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Aos 61 anos, Israel sofre sete ameaças existenciais, diz futuro embaixador nos EUA

gustavochacra

16 de maio de 2009 | 12h40

Israel completou 61 anos nesta semana. Estado mais desenvolvido no Oriente Médio, os israelenses ainda não conseguiram estabelecer a paz com todos os seus vizinhos. Nestas seis décadas, houve avanços, como a assinatura da paz com o Egito e a Jordânia. Os sírios, mesmo sem relações, não atacam Israel desde 1973, apesar de, no período, terem sido alvejados algumas vezes. A Autoridade Palestina reconhece Israel e a Liga Árabe propôs o estabelecimento de relações com todos os países árabes em troca da retirada dos territórios ocupados. Estes avanços, no entanto, não impedem que Israel ainda se sinta ameaçado. O conceituado historiador israelense e futuro embaixador em Washington, Michael Oren, escreveu um artigo antes da nomeação para o cargo diplomático denominado “Sete Ameaças Existenciais” a Israel. Abaixo, seguem as sete com um comentário meu em cada uma delas.

1 – Jerusalém –
A cidade hoje não tem mais uma maioria sionista, de acordo com Oren. Dos cerca de 800 mil habitantes, há 272 mil árabes e 200 mil judeus ultra-ortodoxos. Mais do que isso, diz Oren, metade dos israelenses com menos de 18 anos nunca visitaram Jerusalém

Comentário – Jerusalém ainda possui uma maioria judaica, independentemente de serem sionistas ou não. Tampouco Oren pode garantir que todos os ultra-ortodoxos não sejam sionistas. Se a parte oriental da cidade fizer, no futuro, parte do Estado palestino, o cenário no lado judaico se fortaleceria ainda mais. De qualquer forma, Oren aponta indiretamente o problema do crescimento da religiosidade em Israel. Também salienta uma divisão na sociedade israelense, na qual os menos religiosos, que vivem em cidades como Tel Aviv ou Haifa, se identificam cada vez menos com Jerusalém

2 – A ameaça demográfica dos árabes – Oren não sabe ao certo qual a taxa de crescimento da população árabe em Israel e nos territórios palestinos. Segundo o historiador, os judeus precisam ser sempre uma maioria de ao menos 70% em Israel. Abaixo disso, a existência de Israel como Estado judaico fica ameaçada. Ele também afirma ser extremamente complicado remover os colonos da Cisjordânia. Desta forma, a criação de um Estado palestino seria inviável e cresceria pressão internacional para um Estado binacional, que, na visão do historiador, seria o fim do projeto sionista. Consequentemente, muitos judeus emigrariam

Comentário – Oren tem toda a razão. O menor mal, neste caso, seria remover os assentamentos. Talvez, em uma troca de territórios, Israel poderia manter os maiores. Colonos também poderiam permanecer no futuro Estado palestino. Saídas podem ser encontradas. Mas o Estado binacional seria o fim de Israel. A outra opção, seria o Apartheid, onde Israel controlaria todo o território e os palestinos não teriam direitos de cidadão

3 – Deslegitimação –
Campanhas internacionais buscam deslegitimar Israel, acusando o país de racista e comparando-o à África do Sul da época do Apartheid. A ocupação da Cisjordânia e da Faixa de Gaza contribuiu para esta imagem, mas algumas críticas focam na essência do Estado nacional judaico, afirma Oren

Comentário – Tem razão Oren. Existe sim uma campanha contra Israel. Mas é preciso dividir as críticas em duas. Uma coisa são anti-semitas que atacam os israelenses e comparam os judeus aos nazistas. Isso é inaceitável e ocorre até mesmo na ONU, na mídia árabe e mesmo no Brasil. Ahmedinejad é um dos que buscam atacar Israel desta forma, ao insinuar que o Holocausto não existiu. Outra coisa são as críticas à ocupação da Cisjordânia e ao bloqueio de Gaza. Mesmo em Israel grande parte da população considera errada a existência dos assentamentos. Sem falar na atual administração americana e das lideranças da oposição em Israel. As colônias nos territórios palestinos são o que realmente abrem espaço para ataques aos israelenses. Basta retirá-las que o discurso anti-semita será enfraquecido

4 – Terrorismo – O historiador afirma que Israel sempre foi alvo de ataques terroristas, mas que medidas de segurança os reduziram recentemente. O problema é que, segundo ele, o Hamas e o Hezbollah se fortalecem cada vez mais

Comentário – Oren está certo, especialmente no caso do Hezbollah. O grupo xiita libanês pensa no longo prazo e mantém o ideal de destruir Israel. Eu vi crianças prestando juramento de resistir até a morte contra a existência do Estado judaico. O problema é que os israelenses tiveram uma chance em 2006 de combater o Hezbollah, mas a estratégia de guerra foi equivocada, punindo todo o Líbano, em vez de se focar na eliminação da ala militar da organização. O Hamas ainda é mais fácil de lidar, com os líderes, como Khaled Meshall, aceitando Israel por pelo menos dez anos. Dificilmente ouviremos Hassan Nasrallah, do Hezbollah, dizer o mesmo. Sem falar que o poderio militar do grupo libanês em comparação com o palestino é proporcional à diferença do Exército americano para o canadense

5 – Irã nuclear – Segundo Oren, há o risco de o Irã atacar Israel ou de passar armamentos para grupos terroristas

Comentário – O Irã não atacaria Israel, mesmo porque nunca atacou um país vizinho. Um bombardeio a Tel Aviv mataria também milhares de palestinos. E, minutos depois, os EUA e Israel conseguiriam destruir todas as cidades iranianas com mais de 10 mil habitantes, literalmente varrendo o Irã do mapa. Por outro lado, existe sim o risco de o Hezbollah ser usado para um ataque com uma bomba suja. Esse é o maior risco para Israel

6 – Soberania – Oren afirma que árabes constroem casas ilegalmente em Jerusalém Oriental e judeus erguem postos avançados (assentamentos construídos à revelia do governo israelense) na Cisjordânia. Alguns judeus e árabes do Parlamento tampouco reconhecem o Estado onde eles servem

Comentário – No caso das casas, Oren no mínimo está mal informado. As casas são ilegais porque a prefeitura de Jerusalém impõe enormes obstáculos na hora que árabes tentam conseguir licença. Até a Hillary Clinton condenou a demolição das residências. Os postos avançados podem ser retirados com facilidade. Sobre os parlamentares, trata-se de uma questão doméstica, existente também em outros países

7 – Corrupção –
Oren afirma que muitos líderes israelenses estão envolvidos em casos recentes de corrupção

Comentário – Bom, neste caso, o Brasil, todos os países árabes, França, Japão, Argentina, EUA, Turquia, Rússia e todas as nações do mundo estão ameaçadas

Oren propõe algumas soluções para superar as ameaças

–Escolas devem levar as crianças duas vezes por ano para visitar Jerusalém e deve haver incentivos para que jovens se mudem para a cidade

Comentário –
Realmente, isso é importante. Mas não ajudará a frear o crescimento dos religiosos ou eliminará o direito de os palestinos viverem em seu próprio Estado

–Sem um interlocutor no lado palestino, Israel deve estabelecer as fronteiras com a Cisjordânia, mantendo do seu lado a maior parte da população judaica residente na área, e também de bens naturais e estratégicos, além de lugares sagrados para os judeus

Comentário – Ações unilaterais fracassaram no sul do Líbano e em Gaza. Acordos bilaterais foram um sucesso com a Jordânia e o Egito. Todos os países árabes, sem exceção, querem reconhecer Israel em troca da retirada. Manter a maior parte da população judaica é legítimo, mas os palestinos precisam de terras em troca. E por que os bens naturais e estratégicos ficariam com Israel? Lugares sagrados como Hebron? Isto é, dezenas de milhares de palestinos que vivem na cidade, com apenas algumas centenas de colonos, seriam o que?

–Para combater o terrorismo, ele defende estratégias de segurança, e pede o fim da imunidade a líderes terroristas

Comentário – Basicamente, é o que Israel faz atualmente e com sucesso

–Israel não pode permitir que o Irã obtenha armas nucleares, podendo inclusive usar o poderio militar

Comentário – Vários analistas concordam que será muito difícil impedir que o Irã tenha armas atômicas. Até o presidente de Israel, Shimon Peres, concorda com isso. Uma ação militar poderia atrasar o desenvolvimento do arsenal iraniano. Mas, no futuro, eles voltariam com tudo. Para complicar, uma operação militar seria condenada internacionalmente e implicaria no risco de causar uma guerra regional. Israel tem que se preparar para se defender e, por que não, melhorar as relações os iranianos. Os dois países não possuem fronteira e compartem interesses comuns

A íntegra do artigo de Michael Oren pode ser lida aqui. Os trechos que publiquei foram resumidos por mim. Caso haja discordância sobre a forma como eu sintetizei os pontos dele, por favor, me avisem para eu verificar e, se for o caso, arrumar.

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