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Apenas Damasco e Aleppo têm o poder de derrubar Assad

gustavochacra

08 de março de 2012 | 11h22

no twitter @gugachacra

Bashar al Assad permanecerá no poder enquanto controlar Damasco e Aleppo. São as duas maiores cidades da Síria, onde vive mais da metade da população. O que acontece em lugares como Homs, Hama, Idlib e Daara afeta apenas indiretamente os moradores destas duas metrópoles milenares.

A estratégia de protestos dos opositores funcionou e bem nos primeiros meses. Conquistou o apoio de quase toda a comunidade internacional. O passo seguinte, diante dos acontecimentos na Líbia, foi a militarização da oposição para enfrentar as forças de Assad.

O problema é que, na Líbia, os opositores controlavam partes expressivas do território, incluindo toda a região da Cyrenaica. Benghasi, segunda maior cidade, estava com os rebeldes. Seria como se Aleppo tivesse passado para as mãos da oposição. Para completar, contaram com os bombardeios da OTAN – sem eles, talvez Muamar Kadafi ainda estivesse no poder.

Na Síria, a oposição conseguiu no máximo dominar alguns poucos bairros sunitas conservadores de Homs, dois subúrbios de Damasco e algumas cidades sem muita importância nas fronteiras com o Líbano, Jordânia e Turquia. Todas já estão nas mãos do governo novamente. E não deve haver intervenção externa no curto prazo.

Na minha avaliação, conforme a situação econômica se deteriorar, protestos começarão a eclodir em Damasco e Aleppo. Apenas neste momento o regime deverá viver o seu momento Tahrir. Antes disso, Assad ainda se manterá no poder.

Guardem esta frase – “O regime de Assad jamais cairá em Homs. Sua queda, se ocorrer, será em Damasco e/ou Aleppo”

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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