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Apenas o Hezbollah atacaria Israel

gustavochacra

31 Janeiro 2013 | 20h04

As ameaças da Síria e do Irã a Israel não passam de retórica. Os dois países enfrentam enormes problemas domésticos, incluindo uma guerra civil no caso sírio, para cogitar um enfrentamento direto contra uma das mais poderosas Forças Armadas do mundo.

Sempre é bom lembrar que, nos últimos 40 anos, com os Assad no poder em Damasco, a Síria nunca lançou qualquer forma de ofensiva contra Israel, embora tenha parte do seu território, as Colinas do Golã, anexadas ilegalmente pelos israelenses, segundo a ONU. O Irã tampouco teve coragem até hoje, apesar dos agressivos discursos de seu presidente Mahmoud Ahmadinejad, de bater de frente com Israel. Teerã e Damasco sabem ser mais fracos do que os israelenses. A derrota em um conflito é tão óbvia como uma vitória do Barcelona em um amistoso contra um time da segunda divisão do Brasil.

A única possibilidade de uma reação ao ataque contra a Síria seria o Hezbollah. O grupo libanês já guerreou contra Israel tanto durante a ocupação israelense do sul do Líbano por 20 anos nas décadas de 1980 e 90 como também durante o conflito de 2006.

Por outro lado, o Hezbollah é uma organização independente que leva acima de tudo os seus próprios interesses. Prova disso é nunca ter agido contra Israel para defender o Hamas. Caso o grupo libanês considere necessário um conflito, talvez realize uma ação contra os israelenses.

O custo, porém, poderia ser elevado para o Hezbollah. O grupo libanês está bem mais preocupado com a emergência de organizações armadas radicais sunitas ligadas à Al Qaeda dentro do Líbano. Além disso, há o risco de seu aliado Bashar al Assad ser deposto na Síria. E, para completar, o peso de seus aliados cristãos dentro do Líbano em um ano eleitoral pode colocar um freio.

Apenas para deixar claro, o maior inimigo do Irã, do Hezbollah e da Síria neste momento é radicalismo sunita, não Israel. Eles estão muito mais preocupados com a ajuda do Qatar e da Arábia Saudita aos rebeldes sírios do que com estas ações de Israel.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009 e comentarista do programa Globo News Em Pauta, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti, Furacão Sandy, Eleições Americanas e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen.  No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios