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Após o cessar-fogo, será a hora de ver o que realmente aconteceu em Gaza

gustavochacra

18 de janeiro de 2009 | 10h53

Infelizmente, neste conflito, que está próximo de se encerrar com o cessar-fogo anunciado por Israel ontem e pelo Hamas hoje, não pude, como quase todos os outros jornalistas, entrar em Gaza. O mais perto que cheguei foi a um quilômetro da fronteira. Histórias como a do médico palestino que trabalha em Israel e perdeu as três filhas em um ataque israelense, a dos ataques às escolas da ONU, dos 95 corpos que acabaram de ser encontrados em meio a escombros, do menino que perdeu a mãe e os irmãos mais velhos foram relatadas por palestinos e membros de organizações internacionais baseados em Gaza.

A minha cobertura se resumiu ao lado israelense e cidades palestinas na Cisjordânia. Visitei em diferentes dias Sderot, Ashkelon e outras localidades no sul de Israel. Não vi destruição. E tampouco senti medo, mesmo quando escutei as sirenes anunciando um foguete se aproximando. E percebi que as pessoas pareciam seguras, andando nas ruas e com restaurantes e comércio aberto. Mas não vivi nestas cidades por oito anos e não tenho a menor condição de medir o que passaram estas pessoas com a chuva diária de foguetes. Tampouco posso esquecer que Israel faz questão de reconstruir lugares destruídos em atentados ou ataques de foguetes. Mas o que posso assegurar é que não se tratava de uma imagem de guerra. E já vi de perto o que é destruição no Líbano.

Visitei Beirute pela primeira vez em 1997 e vi o centro da cidade em ruínas sete anos após o fim da Guerra Civil. Mais importante, estive em Bint Jbeil, Khiam e outras cidades libanesas dois anos antes e um ano depois da guerra entre o Hezbollah e Israel. Podia comparar. Acreditem, não tinha um prédio em pé em Bint Jbeil – ou a edificação estava em reconstrução ou ainda estava no chão.

Apenas os símbolos do Hezbollah, alvo principal da guerra, seguiam no mesmo lugar. Conforme escrevi em reportagem publicada no Estado na época, “na entrada de Bint Jbeil, a vila mais atacada por Israel ao longo do conflito, há um portal do Hezbollah, com um míssil na parte de cima. Quase todos os postes têm fotos de integrantes do grupo mortos em combates ou ações contra Israel e as bandeiras amarela e verde da organização. O mesmo ocorre em Aita al-Shaab, vilarejo fronteiriço perto da localidade israelense onde os soldados foram capturados”.

Não conheço Gaza e não poderei definir exatamente o nível da destruição como fiz no Líbano, por ter visto as cidades antes e depois da guerra. Mas, tenho certeza, o cenário deve ser mais parecido com o de Bint Jbeil do que com o de Sderot – talvez, com os cartazes de “mártires” do Hamas nos postes.

obs. Vi a Tzipi Livni no dia em que ela se reuniu com o Celso Amorim. Benjamin Netanyahu passou por mim no meu primeiro café da manhã em Israel. Entrando no hotel, acabei de cruzar com uns dez seguranças e, no meio, Ehud Barak. Um deles será o próximo premiê de Israel. Não pude deixar de notar que a Livni é, sem dúvida, a que mais chama a atençao.

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