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Árabes-israelenses podem ser presos se negarem caráter judaico de Israel

gustavochacra

27 de maio de 2009 | 19h45

O Knesset (Parlamento de Israel) aprovou inicialmente uma lei que punirá com um ano de prisão os cidadãos israelenses que negarem o direito de Israel de existir como um Estado judaico, segundo o diário Haaretz. A medida precisará passar por mais três votações e uma revisão antes de se tornar lei. Integrantes do partido do ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, também querem transformar em crime as comemorações do que os palestinos chamam de Nakba (tragédia), que marca a expulsão ou saída por opção própria de cerca de 700 mil refugiados palestinos – incluindo cristãos e muçulmanos – quando foi criado o Estado de Israel, em maio de 1948.

Sammi Michael, presidente da Associação para Direitos Civis de Israel, condenou a atitude em entrevista ao Financial Times. “É uma opressão brutal do direito de livre expressão. Celebrar a Nakba não ameaça a segurança do Estado de Israel. É um direito humano de qualquer pessoa expressar dor diante de um desastre que eles experimentaram”, afirmou.

Um porta-voz do Israel Beitenu (o partido de Lieberman), cujo nome não foi citado pelo jornal britânico, disse que “os árabes de Israel são cidadãos israelenses. Não queremos forçá-los a celebrar a fundação de Israel, mas também não queremos demonstrações contra”.

Historiadores revisionistas israelenses, como Benny Morris, Ilan Pape e Avi Shlaim, com base em arquivos do governo de Israel, argumentam que grande parte dos palestinos foram expulsos durante a guerra de independência. Outros historiadores israelenses defendem a tese de que eles saíram por vontade própria. Centenas de milhares ainda vivem na Síria, Jordânia e no Líbano. Nos dois primeiros, eles possuem todos os direitos. Já o governo libanês os trata como cidadãos de segunda classe. Há também refugiados palestinos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. O fundador do Hamas, xeque Ahmed Yassin, assassinado por Israel sob a acusação de apoiar ataques terroristas que resultaram na morte de civis, nasceu em Ashkelon, hoje território israelense.

No Oriente Médio, é comum minorias serem reprimidas. Os curdos têm os direitos restringidos na Turquia e na Síria. O Irã persegue os seguidores da religião Baha’í. Xiitas, mesmo sendo maioria em Bahrein, são oprimidos pelo regime sunita. Situação não muito diferente do que acontece em outros países do golfo. Em posts anteriores, retrato a situação de cada um desses grupos e também dos refugiados palestinos no Líbano.

obs. Hoje é meu aniversário. Não direi a idade, mas posso garantir que sou mais velho do que todos os nadadores que conquistaram a medalha de ouro na última Olimpíada, mas mais novo do que todos os presidentes do mundo

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