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As 5 razões da Rússia para defender Assad na ONU

gustavochacra

29 de janeiro de 2012 | 22h12

no twitter @gugachacra

A Rússia deve vetar mais uma resolução no Conselho de Segurança da ONU condenando o regime de Bashar al Assad caso o texto siga nos moldes atuais. E cinco são os motivos. Primeiro, Moscou simplesmente não confia no Ocidente e tampouco dará uma segunda chance depois da ação da OTAN na Líbia, quando, na visão russa, transformaram uma “zona de exclusão aérea” em uma campanha de bombardeios para derrubar um regime.

Em segundo lugar, a Rússia vende armas para a Síria, assim como os EUA vendem para a Arábia Saudita e Bahrain, que também reprimem a oposição. Desta forma, Moscou não quer abdicar das centenas de milhões de dólares que faturam anualmente com este comércio, assim como os americanos também ganham bilhões no comércio com os sauditas.

Terceiro, a Rússia tem um entreposto militar na costa da Síria. O regime de Damasco sempre foi um aliado de Moscou na Guerra Fria. Não há sentido para eles abandonarem esta parceria e ficarem sem uma base no Mediterrâneo.  Não é muito diferente dos EUA, que, por possuírem uma base em Bahrain, impedem qualquer tentativa de levar a discussão da repressão da monarquia Al Khalifa contra os opositores para o Conselho de Segurança.

Quarto, a Rússia tem uma visão distinta do que acontece na Síria. E isso inclui inclusive a academia. Segundo disse ao New York Times Yevgeny Satanovsky, presidente do Instituto de  Oriente Médio de Moscou, a crise síria “não é uma escolha entre o bom e o ruim. É uma escolha entre o ruim, que vivemos agora, e o apocalipse”. Apenas se o Ocidente levar em conta estes pontos, a Rússia deixará de vetar a resolução. Caso contrário, seguirá fazendo como os EUA em relação a Israel, vetando qualquer tentativa de resolução.

Por último, a Rússia avalia que o regime de Assad sairá vencedor nesta crise mesmo depois de uma guerra civil, levando em conta o apoio que ele tem em cidades como Aleppo e Damasco.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

 

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