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As armas do Hezbollah, as mães da praça de maio de Teerã e os cinco patetas

gustavochacra

11 de dezembro de 2009 | 21h27

O Parlamento libanês, dividido, decidiu que o Hezbollah poderá manter as suas armas. Uma pena. O Líbano continua tendo um Exército paralelo que pode tomar decisões que afetam todo o país. Inclusive, lançar guerra contra nações vizinhas. Mas, além do Hezbollah, a milícia radical cristã Forças Libanesas também deveria se desarmar. Assim como druzos, sunitas e diversos outros grupos que possuem armas no território libanês. Não podemos ser ingênuos e achar que é apenas o Hezbollah. Libaneses tiveram uma guerra civil que durou 15 anos. A do Hezbollah, contra os cristãos aliados de Israel, no sul do Líbano, se prolongou por mais uma década.

A cicatrização apenas acontecerá, como se espera, quando o Líbano deixar de ser um país sectário. Não dá para o presidente ser cristão maronita, o premiê, muçulmano sunita, o presidente do Parlamento, xiita, e o Parlamento dividido meio a meio. Os libaneses precisam de um novo acordo. No cenário atual, os cristãos e o sunitas precisam ceder para os xiitas para que mantenha o poder. E o que os xiitas querem? Que ninguém se meta com o Hezbollah. Concordam em não ter o premiê e o presidente, mas querem as suas armas.

E, enquanto o regime iraniano prende as mães de opositores em uma praça de Teerã, o anjo loiro Alfredo Astiz, que se infiltrou na organização das Mães da Praça de Maio, em Buenos Aires, terá o destino que merece. Impressionante como o Brasil e outros governos não percebem que Ahmadinejad age como Galtieri, como Videla ou como Mubarak.

Aliás, os egípcios poderiam ter uma boa opção para presidente. É o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica, Mohammad El Baradei, que em breve deixará o cargo e anunciou que pretende se candidatar à Presidência. Mas, de herói, se tornou vilão na controlada imprensa egípcia, que o vê como uma ameaça aos planos de Gamal Mubarak. De qualquer jeito, no fim, pode ser que tenhamos Omar Suleiman, o atual chefe da inteligência, como o sucessor de Nasser, Sadat e Mubarak.

Nos EUA, começa a crescer a ameaça de muçulmanos radicais nascidos nos EUA. Isso não era imaginado na época do 11 de Setembro. Mas, depois de Fort Hood, agora tivemos os cinco patetas presos no Paquistão depois de terem sido rejeitados por uma organização terrorista. Não passaram no vestibular para terrorismo. Foram reprovados na prova de urdu. Voltam para os EUA agora. De qualquer maneira, a sociedade islâmica nos EUA continua sendo pacífica e criticou duramente os cinco patetas.

E no Iraque, o secretário da Defesa, Robert Gates, tomou um chá de cadeira do premiê Nouri al Maliki. Os iraquianos, aos poucos, tentam deixar claro que não são mais fantoches dos americanos. Ao mesmo tempo, morrem de medo de as tropas dos EUA irem embora. Parece a América Latina. Sempre reclama que os EUA se envolve nos problemas da região. Quando decidem agir por conta própria, com o apoio dos EUA, observamos o episódio de Honduras.

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