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Assad pode ter a paz com Israel e Sauditas sem romper com o Irã e o Hezbollah

gustavochacra

23 de julho de 2009 | 11h21

O Oriente Médio luta pela Síria. Já escrevi antes aqui como Bashar al Assad conseguiu dar a volta por cima. Em 2005, depois do assassinato do ex-premiê libanês Rafik Hariri, as tropas sírias foram obrigadas a desocupar o Líbano. Síria se tornou sinônimo de “assassino” em diversas partes de Beirute. Para alguns libaneses, um palavrão maior do que Israel.

Isolado pela comunidade internacional, era colocada como a próxima da lista para uma ofensiva americana depois do Afeganistão e do Iraque. Jovem, Assad ainda enfrentava problemas internos. Analistas apostavam que era questão de meses para o líder sírio ser derrubado. Todos diziam que o atual presidente da Síria estava longe de ter a habilidade política de seu pai, Hafez al Assad.

Mas, devagar, Assad se levantou. Foi o líder árabe que mais se preocupou com os iraquianos, ao receber milhões de refugiados sem qualquer ajuda internacional, concedendo a todos educação e segurança. Soube se aproximar ainda mais do Irã quando todos ignoravam Damasco. Sem poder controlar os governos palestinos e libaneses, decidiu influenciar os territórios e o Líbano por meio de grupos islâmicos como o Hamas e o Hezbollah, de certa forma mais poderosos do que os que estão no poder oficial. Isso, sem permitir que organizações islâmicas se fortalecessem na Síria.

Nicolas Sarkozy trouxe a Síria de volta para a comunidade internacional ao receber Assad. Os americanos enviam quase semanalmente alguém para Damasco para conversar com o regime. Israel, mesmo com o governo de direita, está engajado em chegar a um acordo de paz com os sírios ainda que tenha que devolver as colinas do Golan. A Turquia se tornou o país mais próxima de Assad e serve novamente de mediadora. Para completar, a Arábia Saudita decidiu retomar os laços com a Síria.

A consequência de tudo isso é que Damasco pode voltar a dar as cartas no Líbano. Afinal, de um lado o Irã apóia os xiitas Hezbollah. Do outro, os sunitas estão com os sauditas. Com a nova aliança, a Síria poderia ajudar no fim da tensão entre os dois lados. Sem falar que os xiitas da Amal são mais próximos de Damasco do que de Teerã. Devagar, a Síria pode se reconstruir no Líbano como no período pré-2005. Próxima de sunitas e xiitas, além de alguns grupos cristãos.

Claro, como sempre, muita gente no Líbano não gostará desta influência. Mas será difícil pressionar Assad. Afinal, ele conseguiu se aproximar dos EUA, Israel e Arábia Saudita sem precisar romper com o Hezbollah, Hamas e Irã. Uma tacada de mestre. Se conseguir o Golan de volta, Assad, acreditem, pode se tornar o homem-chave dos americanos e dos israelenses no Oriente Médio. Mais importante do que o rei Abdullah. Lembrem que Assad é médico, educado em Londres e com fobia de radicalismo islâmico. Pode, para completar, ajudar a estabilizar o Iraque, o Líbano e servir de ponte para o Irã.

Ah, e a Síria? Bom, continuará sob a égide de um regime autoritário, com censura à imprensa, restrição a grupos opositores e sem eleições livres. No entanto a economia, com o fim do isolamento, tende a melhorar.

Encontro de Leitores

Os leitores voltam a se reunir neste fim de semana. Para participar, basta postar um comentário com nome completo e email que eu encaminho para o Fabio Nog, que organiza o evento. Onze pessoas já confirmaram. Vale a pena

Fórum no Rio

Haverá, neste fim de semana, um fórum sobre Oriente Médio no Rio. Programa obrigatório para quem se interessa pela política da região

O encontro será sobre a mídia e o Oriente Médio, com a participação de jornalistas internacionais, inclusive da imprensa israelense e palestina. Vou procurar um site para dar mais informaçõs


36 Horas

Tentarei me disciplinar e postar a cada 36 horas, alterando o atual padrão de 24 e 48 horas. Assim, moradores de diferentes partes do mundo teriam tempo de participar. Leitores da Califórnia e de Israel têm dificuldades para debater entre si por causa do fuso horário

Fim de semana light

Agora, no fim de semana, postarei temas que não tenham relação com política. Serão textos sobre cultura, esportes e comportamento no Oriente Médio

Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima

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