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Assad pode terminar como Kadafi (morto), Mubarak (preso) ou Ben Ali (no exílio)

gustavochacra

18 de julho de 2012 | 13h28

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 Bashar al Assad se formou em medicina e nunca pretendeu comandar um regime ditatorial como o de Damasco. Era o filho do meio de Hafez e foi treinado apenas para exercer a oftalmologia. O sucessor do pai seria Bassil. Mas este morreu e o irmão acabou se tornando o próximo da lista a assumir o poder.

Quando assumiu, Assad queria reformar a Síria e democratizar aos poucos. Mas rapidamente, sob pressão dos tradicionais membros do regime, percebeu que sua opção era ser o comandante de uma ditadura ou ir para o exílio. Acabou optando pela primeira opção.

Até 2010, não havia tanto problema em ser ditador, apesar das crises depois da queda de Saddam Hussein e do atentado que matou Rafik Hariri, culminando na retirada das tropas sírias do Líbino. Depois dos levantes de 2011, tudo mudou. Com o atentado de ontem, Bashar descobriu que pode morrer ou ser deposto a qualquer momento, independentemente do apoio que possui.

Certamente, neste momento, o líder sírio está calculando as suas opções. Pode fazer como Ben Ali e ir imediatamente para o exílio. Seu destino provável seria Moscou ou Kiev. Pode renunciar ficando na Síria, como Hosni Mubarak no Cairo, que acabou atrás das grades. E pode morrer cruelmente como Muamar Kadafi. A chance de virar um Abdullah Saleh, saindo do poder mas mantendo a influência, não existe mais.

Diante deste cenário, o oftalmologia talvez insista por mais um tempo. Lançará a sua última cartada de usar todas as armas à sua disposição para massacrar a oposição, multiplicando o número de mortos. Mas seria mais lógico pensar como Ben Ali. Ainda dá tempo. Isso, claro, solucionaria a sua vida. A Síria, independentemente dele, já virou o caos.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. Também é comentarista do programa Em Pauta, na Globo News. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios


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