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Até agora, não dá para saber se Lula falou do Holocausto com Ahmadinejad

gustavochacra

28 de setembro de 2009 | 11h13

“Em uma recepção para o presidente Lula da Silva no início deste ano, uma autoridade brasileira me explicou que a razão de o Brasil não levantar a sua voz sobre a questão dos direitos humanos em Cuba é que o país não pretende intervir em assuntos domésticos da ilha. Aparentemente, a política de não intervenção não se aplica para Honduras”.

A frase, da colunista do Wall Street Journal, Mary Anastasia O’Grady, também me fez lembrar a posição do presidente brasileiro em relação ao Irã. Em entrevista coletiva aqui em Nova York, ao responder uma pergunta minha, insistiu que seria muita “petulância” dele se meter em assuntos internos de um país tão longe. Já que a distância parece ser o problema, espera-se que o presidente diga algo sobre Cuba. Mas não é o caso, pelo que disse a autoridade brasileira para a jornalista do Wall Street Journal. Na verdade, são dois pesos, duas medidas.

Aliás, Lula afirmou não ter comentado com o Ahmadinejad sobre o Holocausto. Porém o Marco Aurélio Garcia disse que o presidente abordou o assunto sim com o iraniano. Logo, Garcia desmentiu o presidente do Brasil. Tentei esclarecer com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Afinal, o chanceler estava presente no encontro. Mas o ministro não respondeu, dizendo para eu perguntar para os outros dois, se referindo a Lula e Garcia.

Apenas para deixar claro, o presidente do Irã é acusado de fraude na disputa eleitoral por opositores dentro do país. Dezenas de milhares de manifestantes foram para as ruas de Teerã pedindo a anulação do processo. Em resposta, centenas de pessoas acabaram presas. Há acusações de estupro, tortura e até mesmo assassinatos nas prisões. Além disso, Ahmadinejad questiona a existência do Holocausto, em um ato provocativo com o objetivo de atacar os judeus. Uma pena, já que, historicamente, a comunidade judaica é bem tratada no Irã e persas xiitas e judeus, que fugiram da revolução islâmica, convivem em paz em Los Angeles e Lon Island. Mas o presidente, que se reuniu com Lula, parece querer mudar a história.

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