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Atentado contra a AMIA (Parte 2) – As hipóteses discutidas na Argentina

gustavochacra

21 de julho de 2009 | 12h39

Como estou em Washington, em uma cobertura que nada tem a ver com o Oriente Médio, não pude concluir ainda o texto explicando o suposto envolvimento da Síria e do Irã no atentado contra a AMIA em 1994, que completou 15 anos nesta semana. Mas, para me salvar, o Ariel Palacios, correspondente do Estadão em Buenos Aires e titular do blog “Hermanos” aqui no portal, enviou uma série de hipóteses que são discutidas na Argentina. Elas servirão de base para que eu trate dos sírios e dos iranianos no próximo post. Eu adicionei (alguns, bem poucos) dados às informações do Ariel abaixo

1. Quem fez o atentado?

Hipótese de um atentado internacional

– Uma organização islâmica (Hezbollah, Al Qaeda ou Hamas)
– Um regime do Oriente Médio (Irã ou Síria)

Hipóteses de um atentado nacional

– Os militares carapintadas, de tradição anti-semita

– A Polícia Bonaerense, por diversos motivos políticos

Hipótese mista

– Regimes do Oriente Médio ou grupos islâmicos juntos com carapintadas, com uma conexão da Polícia Bonaerense

2. Motivos para o atentado

Hipótese do promotor

Vingança contra Menem por ter suspendido convênios nucleares com Irã


Hipóteses paralelas

Vingança muçulmana (genérica) contra Menem pelo alinhamento com os EUA

Vingança síria contra Menem por ter prometido – e nunca cumprido – promessas de fornecimento de um reator nuclear para a Síria em 1989, em troca de apoio financeiro para sua campanha eleitoral.

Vingança da Líbia, pela promessa nunca cumprida por Menem a Kadafi (em troca de respaldo financeiro para sua campanha presidencial) de fornecer a tecnologia do míssil argentino Condor, desmantelado a pedido dos EUA.

Vingança contra a comunidade judaica pela intervenção israelense no Líbano

Atentado anti-semita feito por setores pró-nazista da sociedade argentina

Auto-atentado israelense (teoria da conspiração que descarto completamente)

Como foi o atentado?

Versão oficial – uma camionete Traffic usada como carro-bomba

Versão extra-oficial 1 – um contâiner na frente do prédio com uma bomba dentro

Versão extra-oficial 2 – uma bomba colocada dentro do edifício

Versão extra-oficial 3 – uma bomba no contâiner na frente do edifício e outra bomba, dentro de sacos de cimentos, dentro do prédio, que estava em obras. Elas teriam explodido de forma simultânea (esta é uma das mais recentes versões)

Versão extra-oficial 4 – uma bomba colocada no teto do edifício por um helicóptero


Vítimas do atentado

85 mortos

Mais de 300 pessoas mutiladas e feridas


Pessoas presas, mas liberadas, por falta de provas

– Delegados e policiais de “La Bonaerense”

– Carlos Telleldín, revendedor de carros roubados, que teria vendido a Traffic

– Testemunha “C”, detida na Alemanha

– Wilson dos Santos, brasileiro, o primeiro que falou sobre a pista iraniana

– Nasrim Mokhtari, iraniana suspeita de saber quem fez o atentado, suposta ex-namorada de Dos Santos

Hipotéticas conexões indiretas do atentado

– Contrabando de armas para a Croácia e Equador (1991-95)

– Morte de Carlos Menem Jr (1995), filho do presidente Menem

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