As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Bagdá deve seguir São Paulo na proibição ao fumo em lugares fechados

gustavochacra

18 de agosto de 2009 | 11h12

Os paulistas começaram a perceber agora qual a sensação de ir a um bar ou boate (balada ou discoteca, dependendo a faixa etária) e voltar para a casa à noite sem o cheiro de fumaça. Senti isso quando me mudei para Nova York, há quatro anos. Mas, quando estive em Beirute, considerada pelo New York Times como a cidade com a melhor vida noturna do Mediterrâneo (e eu concordo), lembrei de como é inconveniente o cheiro de cigarro.

Como bom anfitrião, levei umas amigas brasileiras para a boate (termo usado na minha geração) White, que fica no alto do prédio do jornal An Nahar, no centro reconstruído da capital libanesa. Apesar de ficar ao ar livre, com o Monte Líbano – que são vários, não apenas um –de um lado e o mar do outro, não consegui evitar a impregnação da fumaça na minha roupa. Beirute, assim como quase todas as cidades do mundo árabe, não proíbe o cigarro.

Mas Bagdá pode proibir. O governo iraquiano enviou ao Congresso uma lei para banir o cigarro de todos os ambientes fechados e prédios públicos. Não consigo imaginar como será. No mundo árabe, assim como na Espanha e em alguns países europeus, quase todos fumam. Alguns libaneses me olham de forma estranha quando digo que não gosto de cigarro. Nos táxis, conforme já descrevi aqui anteriormente, a educação é oferecer o cigarro ao passageiro, e não perguntar se pode fumar. Em Bagdá, não é muito diferente. Aliás, até pior, já que grande parte dos libaneses vive ou viaja para exterior. Outros possuem família em países como EUA, Austrália e Canadá, enquanto não há diáspora de iraquianos, a não ser para a Síria.

Aparentemente, a decisão provém da influência dos americanos. O Iraque tem aprendido muito com as tropas dos EUA. Sendo contra ou a favor da guerra, sabendo de todas as mortes que já ocorreram no país, dá para ver um lado positivo na ocupação americana. O Iraque, depois do Líbano e dos palestinos – e, até certo ponto, do Qatar – está mais próximo da democracia do que seus outros vizinhos árabes. E também adota posturas como a da proibição do cigarro, já que fumantes passivos possuem elevada chance de ter câncer e outras doenças. O cigarro, de acordo com o Ministério da Saúde do Iraque, mata 55 pessoas por dia no país, contra dez em consequência do conflito.

Claro, ainda haverá a questão do narguile. Proíbe também ou não? Na Turquia (que não é árabe), vão proibir. Certamente, a oposição será maior do que no caso do cigarro. Faz parte da cultura da região sentar em uma casa de chá, fumar narguile e jogar gamão. Vamos ver no que dá

Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.