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Beirute, suas livrarias e seus livros

gustavochacra

03 de outubro de 2008 | 18h32

Beirute é uma cidade com ótimas livrarias. Com a vantagem de que há, quase na mesma quantidade, livros em inglês, francês e árabe. A melhor e mais tradicional é a Librarie Antoine. Localizada em Hamra, com uma filial no shopping ABC, de Ashrafyeh, contém todos os livros que um amante do Oriente Médio e da literatura árabe pode sonhar.

Aliás, falando em livros, acho que, antes de viajar ao Líbano, o ideal é que a pessoa leia um pouco sobre a história do país. Não sei de nenhuma obra em português. Em inglês, indico “House of Many Mansions”, do Kamal Salibi, que é o maior historiador libanês. Porém, quem não conhecer bem a história libanesa, deve ler “A History of Modern Lebanon” antes para compreender melhor o do Salibi. É um livro didático, que explica cada período da história na seqüência exata.

O autor é Fawaz Traboulsi. No Líbano, é considerado uma figura polêmica por seu passado. Ele foi líder de guerrilhas de esquerda durante a guerra civil. Porém, eu li o livro e, mais do que isso, fui aluno dele em um curso justamente sobre História do Líbano na Universidade Columbia em Nova York.

Nas suas aulas, Traboulsi sempre foi imparcial nos seus pontos de vista. Também alterou bastante as suas posições políticas ao longo dos anos, mais ou menos como Fernando Henrique Cardoso. Nas suas próprias palavras, se aposentou da política em meados dos anos 80 para se dedicar ao mundo acadêmico e foi fazer doutorado na França. Atualmente, ele dá aulas na Lebanese American University, além de ocasionalmente ser professor visitante na Columbia ou em universidades européias.

Com “House of Many Mansions” e “A History of Modern Lebanon”, certamente se pode entender melhor o Líbano de hoje.

Para a guerra civil, o melhor livro continua sendo, na minha opinião, o do Robert Fisk, que foi publicado em português com o nome de “A Pobre Nação: As Guerras do Líbano no Século XX”. O capítulo que ele descreve o massacre de Sabra e Chatila é espetacular. Seu rival e inimigo pessoal Thomas Friedman escreveu o clássico “From Beirut to Jerusalém”, que também vale a pena ser lido. Não vou me aprofundar muito nas discussões sobre Fisk e Friedman porque pretendo escrever um post futuramente apenas sobre os dois.

Na literatura, o Líbano tem grandes nomes como Amin Maloouf, autor de “Balthasar’s Odyssey” e “Rock of Tanius”. Ele escreve originalmente em francês. Além, claro, da maior figura das letras libanesa, o poeta e escritor Gibran Khalil Gibran, autor de “O Profeta”.

Voltando às livrarias, vale visitar, além da Antoine, a Oriental, na mesma Hamra, e a Virgin, que fica no centre-ville e no shopping ABC, em Ashrafyeh. A livraria da Universidade Americana de Beirute também é bem completa.

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