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Boko Haram NÃO representa muçulmanos, que condenam SIM sequestro de meninas

gustavochacra

07 Maio 2014 | 11h05

O grupo terrorista nigeriano Boko Haram não representa o islã, não representa os muçulmanos nigerianos e não representa quase ninguém. Segundo serviços de inteligência dos EUA, o grupo terrorista responsável pelo sequestro mais de 250 meninas, em sua maioria muçulmanas, não teria mais do que algumas centenas de  membros.

A Nigéria tem 175 milhões de habitantes, sendo que ao redor de 50% (90 milhões) são muçulmanos. Destes, algumas centenas seriam membros do Boko Haram. Vamos arredondar para mil. Isto é, apenas 0,00001% dos muçulmanos da Nigéria são membros do Boko Haram.

A ação, repugnante e nojenta, é, na verdade, anti-islâmica, como deixa claro uma série de entidades islâmicas ao redor do mundo. Aliás, se você ler ou ouvir alguém falando a MENTIRA de que muçulmanos não condenam o mais deplorável atentado em anos, saiba que condenam sim. 

O Conselho das Relações Islâmico-Americana (CAIR, na sigla em inglês), maior organização islâmica dos EUA, afirmou em comunicado que “é quase impossível expressar o nível de desgosto dos muçulmanos americanos diante das ações anti-islâmicas do grupo terrorista Boko Haram ao sequestrar e ameaçar vender estudantes nigerianas”.

E, se você reclamar que não sai na imprensa, saiba que é sim publicado. O New York Times, em editorial nesta quarta, afirma que o “proeminente instituto teológico islâmico Al-Azhar, no Egito, condenou os sequestros, dizendo que contradiz completamente os ensinamentos do islã e seus princípios de tolerância”.

Lembro que, diferentemente do cristianismo, o islamismo, especialmente o sunita, não possui um Vaticano e um clero que possa falar em nome da religião. A Al-Azhar é mais respeitada na hora de falar em nome do mundo árabe-muçulmano (lembre que nem todo árabe é muçulmano e três em cada quatro muçulmanos não são árabes).

Para completar, o Boko Haram talvez seja, ao lado do grupo rebelde anti-Assad ISIS na Síria, uma das organizações mais repugnantes do planeta. Seus membros são uns terroristas selvagens. Foi fundado apenas em 2002 e intensificou suas ações terroristas em 2009. Atua principalmente no norte da Nigéria e em alguns países vizinhos e teria estabelecido laços com a Al Qaeda. 

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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