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Brasil luta contra corrupção; Turquia luta contra liberdade de expressão

gustavochacra

09 de março de 2016 | 12h40

Sei que tem primárias nos EUA, mas eu mais uma vez escreverei sobre o cenário na Turquia. Falei aqui outro dia que sou fã do país e acho Istambul das cidades mais fantásticas do mundo. Admiro o povo turco e sempre considerei a Turquia uma espécie de “Brasil” do Oriente Médio. Uma economia emergente, com altos e baixos, e problemas políticos. Mas uma democracia e integrante da OTAN. Hoje, infelizmente, não é mais assim.

Enquanto, no Brasil, a Justiça tem combatido com firmeza a corrupção, na Turquia, a Justiça tem combatido a liberdade de expressão. Nesta semana, o Zaman, principal jornal do país e crítico do governo, foi ocupado literalmente por forças de segurança com coquetéis molotov. Repórteres foram presos e, agora, o diário é obrigado a publicar basicamente propaganda do presidente Recep Tayyp Erdogan.

Este é apenas mais um episódio da repressão do regime turco contra a imprensa. Outros órgãos já foram fechados ou ocupados no passado recente. A Turquia ocupa a 149a posição em liberdade de imprensa, de acordo com o Repórteres Sem Fronteira, pouco à frente da Rússia, Congo e Gâmbia. Em 2005, estava 98o.

Dezenas de jornalistas estão presos. Correspondentes são deportados. Alguns podem ser condenados à prisão perpétua. Mais grave, agora há uma lei na qual “insultar o presidente” pode culminar em prisão. Isso inclui as redes sociais. Imaginem se isso existisse no Brasil?

O mais grotesco de tudo isso é ver a Europa se calando. Pior, negocia incentivos financeiros e outros benefícios para a Turquia em troca de o país receber alguns refugiados de volta. A União Europeia ignora completamente a repressão contra a imprensa, sem falar em outros temas como corrupção e política externa.

Como curiosidade, Erdogan mandou construir um palácio avaliado em US$ 600 milhões, em meio a acusações de super faturamento. E pretende mudar as leis, aumentando os poderes presidenciais – atualmente, grande parte do poder está nas mãos do premiê, cargo que Erdogan exerceu por uma década. O objetivo dele é virar uma espécie de “sultão” dos tempos modernos. Na verdade, se transforma em uma espécie de Putin da Anatólia.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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