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Bruno Senna e Felipe Massa, protestem contra a tortura em Bahrein

gustavochacra

18 de abril de 2012 | 12h34

Bruno Senna e Felipe Massa, não corram em Bahrein neste fim de semana ou, pelo menos, protestem de alguma maneira contra a repressão. Saibam que, enquanto vocês estiverem nas pistas, seres humanos serão submetidos à tortura nos porões da repressão da Guerra Suja da monarquia Al Khalifa contra a oposição.

Mohammed Ahmed, de 15 anos, foi alvo de tiros nesta semana. Sadeq Al Ghasra, 18, acabou de ser preso e torturado. Outros 20 jovens também foram detidos depois de atacados com bombas de gás lacrimogêneo. Abdulhadi Alkhawaja entrou na sua décima primeira semana de greve de fome para protestar.

Ao todo, mais de 60 pessoas foram mortas pela repressão em um ano. Este país possui 1 milhão de habitantes. No Brasil, com uma população 200 vezes maior, morreram 300 ao longo dos 20 anos de regime militar.

Se a Síria larga na pole position da repressão no mundo árabe, Bahrain vem em segundo lugar. Esta monarquia absolutista nas mãos da família Al Khalifa, de origem sunita, comanda um país sem liberdades democráticas mínimas, onde os xiitas, majoritários, são tratados como cidadãos de segunda classe.

Há anos, e não apenas durante a Primavera Árabe, estes xiitas lutam por mais direitos. Em 2011, saíram às ruas e tomaram a praça da Pérola, como os egípcios na praça Tahrir no Cairo. Mas, com a ajuda de tropas sauditas, exterminaram as manifestações, servindo de exemplo para Bashar al Assad repetir as ações em Homs.

Os Estados Unidos se silenciaram. Afinal, a sua Quinta Frota, responsável pela segurança dos interesses americanos na estratégica região do Golfo Pérsico, está baseada neste reino, que leva este nome porque, no mundo árabe, reis absolutistas se escondem atrás destes títulos para não serem chamados de ditadores. Também há a relação entre os opositores xiitas (há também sunitas) e o Irã – o que não reduz em nada as demandas por democracia. Nós jornalistas, infelizmente, também erramos ao não dar o destaque necessário para esta onda de violência.

Bruno e Felipe, tenham a nobre atitude de Johan Cruyff e não disputem a corrida de domingo ou carreguem uma faixa em forma de protesto ainda que decidam estar na linha de largada. Não sejam coniventes com a tortura. Não façam propaganda para o regime dos Al Khalifa. Lembrem, eles perdem apenas para Assad na hora de reprimir seus adversários.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

 

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