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Cadê a revolta contra ataque a 3 estudantes muçulmanos nos EUA?

gustavochacra

11 de fevereiro de 2015 | 13h41

Três muçulmanos foram assassinados no campus da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill. As vítimas eram o estudante de odontologia Deah Shaddy Barakat, 23, sua mulher, Yusor Mohammad, 21, que iria ingressar na universidade no ano que vem, e a irmã dela, Razan Mohammad, 19, estudante de outro college na área. Eles também atuavam para arrecadar fundos com objetivo de ajudar no tratamento dentário de refugiados sírios e palestinos no Oriente Médio e de desabrigados nos EUA.

O assassino se chama Craig Stephen Hicks, de 46 anos. Ele se descreve como ateu e ataca todas as religiões e, em especial, o islamismo, na sua página do Facebook. Queria chama-lo de terrorista. Mas ainda não se sabe se foi terrorismo ou um homicídio comum. Um dos argumentos seria de que o assassinato seria por disputa de vaga no estacionamento. Não sei. Acho estranho ele ter matado 3 pessoas por este motivo, ainda mais com seus posts tendendo para a islamofobia. Prefiro aguardar a Justiça.

Mas imaginem se fosse o inverso? Se um muçulmano tivesse matado três cristãos, judeus ou ateus no campus de uma das principais universidades dos Estados Unidos, mesmo se fosse por uma vaga no estacionamento (não sabemos se foi)? O mundo estaria parado neste momento. Não se falaria em outro tema. Os islamofóbicos já estariam atacando os muçulmanos nas redes sociais. Diriam que Islã é a religião da violência. E cadê os muçulmanos moderados para pedirem desculpas e condenarem o terrorismo em nome da religião, diriam alguns?

As vítimas, porém, são muçulmanas. O assassino (talvez terrorista), não. Sério, chegou a um ponto que eu comecei a desistir de tanta hipocrisia que existe no mundo. Tenho vergonha por mim também. O mundo para, com razão, por causa do ataque terrorista contra os cartunista na Charlie Hebdo. Mas o mundo ignora a morte dos estudantes muçulmanos na Carolina do Norte.

Deah e Yosur tinham seus sonhos. Seriam dentistas. Teriam seu consultório. Tratariam de cáries, de canal, não sei. Criariam seus filhos. Iriam a jogos de basquete. Sim, iriam rezar na mesquita. Qual o problema? Jantariam fora. Teriam uma vida normal. Mas foram vítimas de um idiota, seja ele um simples assassino imbecil que mata por uma vaga na garagem ou um terrorista ateu anti-islã.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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