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Campanha de Israel para atrair de volta israelenses que vivem nos EUA irrita judeus americanos

gustavochacra

03 de dezembro de 2011 | 12h39

no twitter @gugachacra

Uma campanha publicitária do governo de Israel para convencer expatriados israelenses a deixar os Estados Unidos e retornar para as suas casas em cidades como Jerusalém e Tel Aviv irritou a comunidade judaica americana. Depois de protestos, o premiê Benjamin Netanyahu ordenou a suspensão imediata dos comerciais.

“Apesar de entendermos a lógica por trás do governo israelense em tentar convencer seus cidadãos vivendo nos EUA a voltar para Israel, estamos preocupados porque algumas pessoas podem se sentir ofendidas pela forma como os vídeos descrevem os judeus americanos”, disse Abraham Foxman, diretor-executivo da Liga Anti-Difamação, considerada a principal organização de combate ao anti-semitismo e preconceito no país.

Três vídeos fazem parte da campanha, que também utiliza outdoors em cidades como Nova York, Los Angeles e Boston. No primeiro deles, um menino chama o pai que está que está dormindo no sofá com uma revista  The Economist no colo. “Daddy”, repete seguidas vezes a criança, de uns quatro anos. Apenas depois de mudar para “Abba” (“papai” em hebraico), o pai acorda. De acordo com o comercial, o pai pode manter a identidade israelense, mas o filho a perderá com o tempo e será americano.

Um segundo vídeo mostra uma conversa por vídeo conferência dos avós em Israel com a neta nos Estados Unidos. Os dois estão com o candelabro do Hanukkah, uma festividade judaica de oito dias que cai normalmente em alguma data entre o fim de novembro e de dezembro, e perguntam para a menina qual feriado ela está celebrando. A criança responde que é o Natal, deixando os avós de cara fechada.

Para completar, um terceiro vídeo mostra um casal jovem voltando para a casa em Nova York. Israelense, a menina fica em silêncio ao entrar no computador e observar o dia  em memória dos soldados israelenses mortos defendendo o país. O namorado, judeu americano, continua falando sem entender o que está acontecendo. Segundo o Jewish Channel, em Nova York, em crítica à campanha publicitária, “o objetivo é dizer que israelenses perdem a identidade ao se casarem com judeus americanos”.

Diante da crise nas relações públicas envolvendo a comunidade judaica dos EUA, o embaixador de Israel em Washington, Michael Oren, divulgou comunicado informando que Netanyahu desconhecia a campanha publicitária. “O Ministério da Imigração não levou em consideração a sensibilidade dos judeus americanos e lamentamos a ofensa que tenha causado. O premiê valoriza a comunidade judaica americana e tem o compromisso de estreitar a relação entre os dois países”, afirmou.

Netanyahu, que estudou nos EUA e fala inglês fluentemente, sempre buscou apoio da comunidade judaica americana para os interesses de Israel. Durante a Assembleia Geral da ONU, fez campanha para eles se posicionarem contra o reconhecimento da Palestina como Estado membro das Nações Unidas.

Segundo o censo dos EUA, a população israelense no país cresceu 30% entre 2000 e 2010 e hoje é de 140 mil. O Consulado de Israel em Nova York estima um número quatro vezes maior de cidadãos do país vivendo no território americano. Este processo é chamado de Yerida, ou emigração, e seria o inverso da Aliyah (imigração de judeus para Israel).

Obs. Desculpem por não ter respondido aos comentários nos últimos dois dias. Entro de férias do jornal e estava muito ocupado nesta semana. No blog, seguirei escrevendo normalmente, a não ser entre os dias 22 e 25. E, quando estiver em São Paulo, organizarei um encontro com os leitores. Provavelmente, no dia 11. Depois, darei mais detalhes

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

 

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