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Caos na Líbia e no Iêmen não pode servir de exemplo resolver o caos na Síria

gustavochacra

12 de junho de 2012 | 12h06

no twitter @gugachacra

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Duas opções vêm sendo estudadas para resolver a crise na Síria. Na primeira, alguns pedem a estratégia usada na Líbia para derrubar Muamar Kadafi. Na segunda, a “solução iemenita” formulada para remover Abdullah Saleh do poder no Iêmen.

Caso o objetivo final seja apenas o fim do poder de um ditador, as duas alternativas foram um sucesso. Caso o objetivo seja a estabilidade e fim da violência, as duas alternativas foram um fracasso.

Na Líbia, a OTAN, usando a resolução 1.973 do Conselho de Segurança da ONU que estabelecia uma zona de exclusão aérea, implementou uma campanha de bombardeios e apoio a milícias que resultaram na captura e morte de Kadafi.

Hoje, menos de um ano depois, uma das milícias da então chamada oposição a Kadafi prendeu quatro membros do Tribunal Penal Internacional que estavam no país para negociar a entrega de um dos filhos do ex-ditador para julgamento em Haia. Os grupos armados também seguem lutando e alguns deles possuem relações com a Al Qaeda.

Além disso, o regime de Assad tem mais força militar do que o de Kadafi, a oposição síria não controla nenhuma porção do território, enquanto e da Kadafi tinha grande parte do país nas mãos, a geografia da Síria é bem mais complicada do que a Líbia e, por último, existem os problemas sectários – os líbios são quase integralmente sunitas; os sírios se dividem em uma colcha de retalhos religiosa

No Iêmen, Saleh foi convencido a deixar o poder depois de enorme pressão da Arábia Saudita e também pela necessidade de realizar tratamentos para ferimentos. Mas o atual governo é incapaz de manter a ordem até mesmo na capital Sanaa, a Al Qaeda usa o país como base para operações internacionais e existe risco de desmembramento do sul.

Diante deste cenário, qual seria a solução para resolver a crise na Síria, onde crianças são massacradas? Na minha avaliação, a Síria não tem solução. Os sírios seguirão lutando até conseguir alcançar um novo ponto de equilíbrio. No Líbano, demorou 15 anos. No Iraque, uma década depois, ainda não foi alcançado.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios