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Carter, Sadat, Begin e a paz de Egito e Israel 30 anos depois

gustavochacra

26 de março de 2009 | 09h27

O acordo de paz entre o Egito e Israel completa 30 anos. Assinado por Menachem Begin e Anwar Sadat, com a mediação do presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, o tratado encerrou uma inimizade que permitiu aos israelenses, pela primeira vez em toda a sua história, ser reconhecido por um país árabe. E, justamente, o maior deles. A paz abriu caminho para que outros Estados da região, como a Jordânia, se sentissem mais à vontade para estabelecer relações diplomáticas com Israel. Em troca, o Egito recuperou o Sinai. Um território que equivale a 90% de tudo o que os israelenses ocuparam na Guerra dos Seis Dias.

Trinta anos mais tarde, dá para tirar algumas lições do acordo. Primeiro, a importância da confiança mútua. Sadat soube ganhar o público israelense com a sua visita de surpresa a Jerusalém. Em segundo lugar, Begin, ao abdicar de um território três vezes maior do que Israel, mostrou a necessidade de fazer concessões. Por último, Carter foi fundamental ao entender o conflito e saber pressionar os dois lados. Por este motivo, até hoje, Carter pode ser considerado o presidente mais pró-Israel e pró-Palestina da história americana. Depois dele, nunca mais Israel travou uma guerra contra um Estado vizinho. Os conflitos seguintes foram contra milícias palestinas e o Hezbollah, no Líbano, e o Hamas, em Gaza.

Parece pouco, mas Israel enfrentou o Egito em 1948, 1956, 1967 e 1973. Quatro guerras que tiraram a vida de milhares de israelenses. Sem a paz, tenham certeza, até hoje a vida de Israel seria mais complicada. E o Egito, como a Síria, ainda estaria com o seu território ocupado – e com outras milhares de vidas a menos.

Diz o ditado que Israel nunca enfrentará outra guerra contra os países vizinhos (Estados, não grupos) por causa do acordo o Egito. Mas nunca terá uma verdadeira paz sem assinar um tratado de paz com a Síria. Eu acrescentaria ainda os palestinos.

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