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Caucus em Iowa é eliminatório, mas não classificatório

gustavochacra

03 de janeiro de 2012 | 13h35

Eleições nos EUA 2012
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O cáucus em Iowa é eliminatório, mas não classificatório. O vencedor da prévia de hoje do Partido Republicano não será necessariamente o escolhido. Um bom resultado costuma fortalecer uma candidatura para a Presidência. Barack Obama venceu no Estado em 2008, impulsionando seu nome contra os de Hillary Clinton e John Edwards.

Por outro lado, Mike Hukabee, que ganhou no cáucus republicano, acabou sendo superado no restante das primárias por John McCain (terceiro em Iowa) na disputa republicana de quatro anos atrás.

Ao mesmo tempo, um desempenho fraco entre os candidatos que fizeram campanha em Iowa pode significar o fim do sonho de chegar à Casa Branca. As doações diminuem e os próprios eleitores acabam buscando nomes com mais força.

Segundo pesquisas, três pré-candidatos estão empatados na primeira colocação. Divididos, os opositores buscam ao mesmo tempo alguém que defenda os valores conservadores do partido, mas que também tenha condições de atrair o voto independente para superar o atual presidente americano.

Mitt Romney, de acordo com a maior parte dos analistas, ainda se destaca como o nome mais forte, apesar de não empolgar a base republicana. Ao longo de todo o ano passado, o ex-governador de Massachusetts tem conseguido se consolidar entre os dois primeiros colocados nas pesquisas nacionais, vendo uma rotatividade de seus rivais mais conservadores e ligados ao Tea Party na liderança.

Nas últimas duas semanas, dois novos nomes ganharam força em Iowa. Primeiro, o do libertário Ron Paul. Aos 76 anos, o deputado do Texas mantém um forte apoio entre os jovens seguidores de seus ideais de acabar com o Federal Reserve (FED, Banco Central dos EUA) e de uma política externa isolacionista, removendo as bases militares americanas no exterior e suspendendo a ajuda militar para aliados como Israel.

O outro é o ex-senador Rick Santorum, que viu os seus esforços renderem frutos nas últimas pesquisas no Estado, depois de passar todo o ano passado nas últimas colocações. Fazendo campanha por mais de seis meses em Iowa e defendendo uma agenda conservadora (ontem afirmou que bombardearia o Irã), ele conseguiu empatar tecnicamente com os outros dois líderes. Segundo levantamento publicado ontem pelo Public Policy Puling, o pré-candidato obteve 18%, contra 19% de Romney e 20% de Paul.

A conservadora Michele Bachmann, que chegou a liderar pesquisas em setembro no Estado, viu seus índices de intenção de voto despencarem e hoje está na sexta colocação com apenas 8%. O governador do Texas Rick Perry, que ao lançar a sua candidatura em setembro também ocupou momentaneamente a liderança, perdeu força depois de fiascos em debates e agora tem 10%.

Newt Gingrich, que já liderou os republicanos no Congresso nos anos 1990 e travou uma guerra aberta contra o então presidente Bill Clinton, do Partido Democrata, chegou a ser visto como favorito em dezembro por publicações como o Wall Street Journal. Mas uma série de propagandas negativas de seus rivais afetou a sua popularidade em Iowa, hoje em 14%. Além disso, sua campanha sofre críticas por ser extremamente desorganizada.

O único candidato que não se importa com o resultado de Iowa é Jon Huntsman. O ex-embaixador de Obama na China e considerado o mais moderado republicano na disputa, decidiu concentrar seus esforços em New Hampshire, onde ocorrem primárias na próxima semana.

Este Estado no nordeste americano tem um perfil bem mais liberal do que Iowa e candidatos menos conservadores possuem mais chances. Romney, segundo a última pesquisa, está disparado em primeiro, com mais de 40% dos votos – o dobro de Paul, com seus tradicionais seguidores libertários, e o triplo de Huntsman, em um distante terceiro.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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