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Chanceler de Israel quer o Hamas no poder?

gustavochacra

22 de agosto de 2012 | 17h43

Desculpem a demora para voltar a escrever no blog. Estou oficialmente de férias do jornal até segunda, mas sigo escrevendo aqui e participo hoje, amanhã e sexta do Globo News Em Pauta, às 20 horas.

O chanceler israelense, Avigdor Lieberman, disse que o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, é um déspota corrupto. Segundo ele, deveriam ser convocadas eleições nos territórios palestinos imediatamente para o processo de paz ser retomado.

Obviamente, não houve diplomacia na declaração. Mas, de resto, o ministro das Relações Exteriores de Israel tem razão na necessidade de novas eleições. Estas vêm sendo adiadas desde 2010. Há também acusações de corrupção contra Abbas e este faz de tudo para reprimir a oposição.

Ao mesmo tempo, o chanceler deveria saber que Abbas é uma liderança moderada. Mais moderado do que ele, apenas Salam Fayyad, premiê palestino e também bem visto no Ocidente. Mas dificilmente conseguiria vencer. Uma eleição presidencial certamente seria prejudicial para Israel. Provavelmente o eleito seria Marwan Barghouti, preso em Israel sob acusação de envolvimento com terrorismo e membro do Fatah, ou alguém do Hamas.

Talvez, quem sabe, Lieberman realmente torça por uma vitória de Barghouti ou do Hamas para poder dizer que os líderes palestinos não querem paz (embora eu ache que Bargouthi poderia ajudar). Infelizmente, muita gente pensa como o ministro israelense. Quanto pior, melhor, na avaliação deles.

 A solução, como todos sabemos, são dois Estados. Os principais blocos de assentamentos próximos da fronteira ficariam com Israel. Os demais, como Ariel, passariam a integrar a Palestina. Os moradores judeus poderiam permanecer com a cidadania palestina ou, se preferirem, com uma espécie de greencard. Jerusalém seria uma municipalidade unificada, capital dos dois Estados. No caso palestino, parte da administração permaneceria em Ramallah. Os refugiados poderiam retornar para o novo Estado, mas não para Israel. Este admitiria que parte deles foi expulsa na guerra de independência. 

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. Também é comentarista do programa Em Pauta, na Globo News. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

no twitter @gugachacra

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