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Chefe dos observadores da ONU acusa opositores, e não Assad, de não cooperar com missão

gustavochacra

20 de junho de 2012 | 11h36

no twitter @gugachacra

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A oposição síria deve ser dividida pelo menos em duas facções – uma armada e outra pacífica. O plano de seis pontos do ex-secretário-geral Kofin Annan visa coibir as ações da primeira e também das forças do regime de Bashar al Assad e suas milícias aliadas (shabiha) justamente para as pessoas poderem realizar manifestações em paz e o país possa ter uma transição política estável.

Mas, de acordo com o general norueguês Robert Mood, chefe da missão de observadores da ONU na Síria, em entrevista coletiva depois de depoimento no Conselho de Segurança, os opositores armados não estão respeitando o plano de Annan. Isto é, como dizem os russos, e não os EUA, eles também são responsáveis pela deterioração do cenário.

Inclusive, segundo o general norueguês,  “tem havido um compromisso do governo (de Bashar Assad) nos últimos dias (em garantir a segurança dos monitores), mas não vimos a mesma colaboração da oposição”. Isso mesmo, com todas as letras, o regime tem cooperado e a oposição não. Não significa que o chefe da missão da ONU apóie Assad. Simplesmente, ele não é inocente de  cair no discurso do bem contra o mal no conflito onde os dois lados (regime e oposição armada) são péssimos.

Na coletiva, o militar foi além. Indagado sobre quem teria sido o responsável pelo massacre de Houla, Mood disse que as investigações ainda não terminaram. Por enquanto, o general que comanda a missão de observadores da ONU, vindo de uma nação totalmente neutra como a Noruega, não aponta o dedo para o regime nem para a oposição.

Resumindo, a Síria não tem solução. O cenário vai se deteriorar bastante independentemente de uma intervenção armada ou não, de Assad cair ou não.  Serão meses ou anos de matanças no território sírio.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. Também é comentarista do programa Em Pauta, na Globo News. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios