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Chicago está mais preparada do que o Rio para os Jogos; Madri e Tóquio também

gustavochacra

01 de outubro de 2009 | 09h48

O Rio de Janeiro disputa amanhã com Chicago, Tóquio e Madri a condição de sede das Olimpíadas de 2016. A candidatura americana ganhou força nos últimos dias com a ida de Barack Obama para a Dinamarca, onde será realizada a escolha. Os jornais e as TV dos EUA cobrem amplamente o evento, mas sem a febre existente no Brasil. Alguns colocam os cariocas como favoritos.

Conheço Chicago, Madri e Rio de Janeiro. Nunca estive em Tóquio. Das três que já visitei, não tenho dúvidas de que a americana está mais preparada. Na beira de um lago, com edifícios estudados por arquitetos de todo o mundo, áreas verdes imensas, um dos maiores aeroportos do mundo e rede hoteleira completa, Chicago, bem distante dos tempos de Al Capone, tem poucos defeitos, a não ser a falta de apoio popular.

O Rio de Janeiro é uma das cidades mais bonitas do mundo, ao lado de Paris, Istambul, Cidade do Cabo e San Francisco. Isso todos sabem. Mas a metrópole brasileira enfrenta uma série de problemas que dificultarão a realização dos Jogos Olímpicos. Não duvido que, se vencer, organizará uma linda e inesquecível Olimpíada. Todos os anos, os cariocas são o palco da mais impressionante festa popular do mundo. Há 60 anos, construíram o Maracanã, então maior estádio do planeta – hoje, com a capacidade reduzida, não sei se está entre os dez maiores. Para completar, dois anos antes da Olimpíada, o Brasil sediará a Copa e o Rio já estará mais estruturado. Também não creio que a criminalidade afetará o evento – a matéria da New Yorker, falando das favelas da Ilha do Governador, foi publicada nesta semana. Tudo isso é verdade, mas a que custo o Rio conseguiria organizar o evento? Onde estão o transporte público, a rede hoteleira, o aeroporto?

Estive na Olimpíada de Atlanta, em 1996, para ver a partida final de pólo aquático entre Espanha e Croácia. Admito que o charme era zero. Mas desembarquei em um dos mais modernos aeroportos do mundo, entrei em um metrô e, minutos depois, estava diante da piscina de uma universidade local. Os americanos, na ocasião, derrotaram Atenas na disputa para a Olimpíada do centenário. Não faltaram críticas pelos membros do comitê ter escolhido o berço da Coca-Cola e da CNN, em vez de votar no berço das Olimpíadas e da Filosofia. Mas Chicago não é Atlanta e o Rio não é Atenas.

Agora, não podemos esquecer das outras duas candidatas. Pelo que já li e vi ao longo da minha vida, sei que Tóquio talvez seja a cidade mais moderna do mundo. Os japoneses certamente organizariam um grande evento sem riscos. Madri, além do Santiado Bernabéu, tem a favor o grande trabalho que os espanhóis realizaram na Olimpíada de Barcelona e o avanço impressionante que conquistaram em diversas modalidades esportivas, do tênis ao basquete, do ciclismo ao pólo aquático. E, passados 17 anos, a Espanha de hoje se tornou uma potência econômica. Como diz a The Economist, “os ingleses olham os franceses de cima para baixo, os franceses olham os alemães, os alemães, os italianos e os italianos, os espanhóis”. Desta equação, diz a revista, a única mudança é que, hoje, os espanhóis passaram os italianos.

Vamos ver o resultado amanhã. Eu apostaria em Chicago, mas ficaria feliz de ver uma Olimpíada no Rio. E vou além – apesar de menos preparados, acho que os cariocas, mesmo com a presença de Obama, serão os votoriosos.

Aliás, uma pergunta. Por que a final da Copa do Mundo será no Rio e não em São Paulo? Afinal, a capital paulista é a maior cidade do Brasil, com pessoas de todas as regiões e mais condições financeiras. Se o Rio fosse a capital, ainda entenderia. Não é. Claro, será porque o Rio é mais bonito e conhecido internacionalmente. Mas apenas isso justifica a escolha do palco da decisão?

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