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Chipre é dividido entre turcos e gregos, mas travessia da fronteira é permitida

gustavochacra

08 de dezembro de 2008 | 19h23

Não tive a oportunidade de visitar Berlim antes da queda do muro. Tampouco conheci Beirute ou Jerusalém dividida. Quando visitei estas duas cidades, elas já estavam unificadas. Mas posso dizer que visitei Nicósia, a última capital do mundo que é separada por um muro. De um lado fica o Chipre reconhecido pela ONU, de maioria cipriota grega. Do outro, a parte que foi ocupada pela Turquia, que proclamou um Estado independente no norte da ilha, majoritariamente cipriota “turco”.

O Chipre fez parte de alguns dos mais importantes impérios da antiguidade. Integrou a Grécia antiga, foi ocupado pelo Egito, tomado pelos persas, voltou para os gregos, teve seu período bizantino, chegou a ser vendido para os templários, foi dominado por Gênova e Veneza. Mais tarde, a ilha foi conquistada pelo Império Otomano e, finalmente, virou um Protetorado britânico em 1878. Após décadas de domínio do Reino Unido, os cipriotas se tornaram independentes em 1960.

Na época, cerca de quatro quintos da população era de origem grega e o restante turca. Em 1964, começaram conflitos entre os dois lados. Forças de paz da ONU tiveram que intervir. Dez anos mais tarde, a Turquia invadiu a ilha e ocupou um terço do território. Na capital, Nicósia (ou Lefkosia, para os locais), a divisão se deu bem no meio da cidade velha, que é circundada por muralhas venezianas.

Por quase 30 anos, cipriotas do lado “grego” não podiam atravessar para o lado norte e vice-versa. Apenas em 2003, a passagem foi liberada. Muitos cipriotas “gregos” foram visitar as suas casas que eram habitadas por cipriotas “turcos” ou mesmo turcos que foram assentados no novo país no norte da ilha, que é reconhecido apenas pela Turquia.

Hoje, cipriotas turcos e gregos podem cruzar a fronteira quantas vezes quiserem. Mas o país não foi unificado e os dois lados ainda estão em conflito, apesar de negociarem um acordo de paz.

Nos próximos dias, publicarei outros textos sobre o Chipre. Muitos temas que aqui não comentei neste artigo, serão citados em outros textos.

Parte 2 – O processo de paz
Parte 3 – A travessia da fronteira
Parte 4 – O Chipre e os conflitos no Oriente Médio

No meio tempo, eu publicarei posts sobre outros assuntos relacionados ao Oriente Médio

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