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Clinton e New York Times acusam Netanyahu pelo fracasso no processo de paz

gustavochacra

23 Setembro 2011 | 10h27

Na véspera de o presidente palestino, Mahmoud Abbas, apresentar formalmente o pedido para ingressar como Estado pleno nas Nações Unidas, o ex-presidente Bill Clinton culpou ontem primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, pelo fracasso no processo de paz do Oriente Médio. Hoje, o New York Times fez o mesmo em editorial.
 
Apesar de não ter um cargo no governo, o ex-presidente é marido da atual secretária de Estado, Hillary Clinton, e seu pensamento reflete o que muitas vezes diplomatas americanos dizem a portas fechadas. O premiê israelense seria no momento, na avaliação de alguns membros da administração de Barack Obama que costumam falar sem se identificar, um dos maiores obstáculos para um acordo na região.
 
Segundo Clinton, Israel sempre quis ter um parceiro para a paz e normalização das relações com os vizinhos árabes. “Não há dúvida de que este governo palestino é o melhor que eles (os palestinos) já tiveram na Cisjordânia. O próprio governo de Netanyahu disse isso. O rei da Arábia Saudita também disse (na iniciativa árabe, de 2002, e ainda mantida) que se os israelenses trabalhassem com os palestinos, haveria não apenas reconhecimento (de Israel), como também parceria política, econômica e de segurança”, afirmou.
 
“Agora que eles (israelenses) têm estas duas demandas, elas não parecem tão importantes para o atual governo israelense. No meio tempo, tivemos todos estes imigrantes vindos da ex-União Soviética e eles não possuem história em Israel e os pedidos dos palestinos não tem tanto apelo para eles”, acrescentou Clinton.

Mais importante, Clinton disse que Abbas já disse a ele que aceitaria a proposta oferecido pelo ex-presidente em Camp David onze anos atrás. O ex-premiê Ehud Olmert também afirma que o líder palestino estava disposto a aceitar o acordo de 2002c
 
O Departamento de Estado não quis comentar as declarações, dizendo que “elas refletem o pensamento do ex-presidente” e não necessariamente da atual administração. A portas fechadas, diplomatas americanos costumam reclamar da intransigência de Netanyahu e dizem que seria mais fácil trabalhar com os opositores israelenses do Kadima. Wayne White, que foi diretor de inteligência do Departamento de Estado para o Oriente Médio no passado, me disse ontem que “tende a concordar com presidente Clinton” sobre Netanyahu ser responsável pela atual situação. “Netanyahu colocou o processo de paz no congelador”, acrescentou o analista, atualmente no Middle East Institute.

Segundo o New York Times, “a maior responsabilidade (pelo fracasso no processo de paz) no momento é do premiê Netanyahu que se recusa a fazer compromissos sérios para a paz”.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios