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Com ajuda do Iraque, Irã e Rússia, Assad ainda está muito longe de deixar o poder

gustavochacra

31 de janeiro de 2012 | 14h10

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Bashar al Assad não deixará o poder ainda que uma resolução seja aprovada no Conselho de Segurança da ONU. Isso lembrando que, no momento, os russos estão radicalmente contra o texto e devem vetar a proposta. E seis são os motivos para o líder sírio se manter no cargo, a não ser que ele sofra um golpe de membros de seu REGIME (abordarei em outro post).

Primeiro, as forças de Assad são incomparavelmente mais poderosas do que as milícias opositoras. Esta história de Free Syrian Army é exagero, segundo afirma relatório da consultoria de risco político Eurasia. Quem está lutando é uma série grupos locais desorganizados que não tem muito o que fazer diante de uma das máquinas mais repressoras do Oriente Médio. Verdade, eles estão sendo armados, mas ainda é insuficiente para enfrentar os tanques do regime.

Em segundo lugar, a oposição não domina praticamente nenhuma parte da Síria. Tirando certos bairros de Homs, que estão em guerra civil, mesmo subúrbios da capital aos poucos voltam para controle do regime. Damasco e Aleppo estão completamente nas mãos da Assad.

Terceiro, o líder sírio desfruta de enorme apoio na Síria. Verdade, grande parte se deve à propaganda oficial. Mas mesmo assim muitos sírios defendem a repressão que já deixou 6 mil mortos. Tem gente em Damasco, inclusive, que acha que Assad deveria ter agido com mais dureza, como o seu pai, Hafez, que matou 20 mil em algumas semanas no massacre de Hama, nos anos 1980. Acreditem, no mundo, muitas pessoas adoram ditadores.

Quarto, as minorias cristãs e alauítas encaram a atual crise como a de sobrevivência de suas religiões na Síria. Eles o tempo todo observam o que aconteceu com os cristãos caldeus e mesmo os sunitas no Iraque, e com os cristãos coptas no Egito.

Quinto, Assad tem o apoio da Rússia, do Iraque e do Irã. Estes países são poderosos e influentes no Oriente Médio. E, mesmo entre eles, costumamos criticar Teerã e Moscou, mas esquecemos de Bagdá. O atual governo iraquiano é quem mais está dando suporte para Assad reprimir os opositores e burlar as sanções impostas por europeus, americanos e países do Golfo.

Sexto, nenhum embaixador, general ou ministro rompeu com o regime em quase um ano. É um cenário totalmente diferente da Líbia.

As consultorias de risco político e também acadêmicos como Joshua Landis, o maior especialista em Síria dos EUA, descartam que Assad caia no curto e médio prazo. Alguns dizem que ele consegue se manter até 2013. Eu acho cedo para dizer e a situação pode mudar nos próximos meses. De qualquer forma, falar que “Assad está próximo da queda”, como faz a Casa Branca, é “wishiful thinking”, segundo disse o diretor da agência de risco Stratfor.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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