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Com apoio da Arábia Saudita, a Al Qaeda começa a vencer Assad na Síria?

gustavochacra

28 de abril de 2015 | 11h08

A  Arábia Saudita, junto com a Turquia e o Qatar, decidiu investir pesadamente em grupos rebeldes sírios, quase todos extremistas e comandados pela rede terrorista Al Qaeda (Frente Nusrah). Esta coalizão extremista tem conseguido avanços e hoje está na ofensiva, e não mais na defensiva, contra o regime de Bashar al Assad. O ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico, não é a prioridade nesta luta.

O objetivo será consolidar territórios na Província de Idlib e em outras áreas da fronteira da Síria com a Turquia. Se possível, tentarão conquistar Aleppo, hoje dividida, mas com as principais áreas com o regime. Nesta área, seria basicamente construída uma terceira Síria. No longo prazo, o objetivo seria mostrar que existe uma alternativa ao regime.

Esta coalizão ainda leva em consideração que este território não é prioridade para o Irã e para o Hezbollah. O regime de Teerã e o grupo libanês consideram vitais apenas as áreas ao redor da fronteira da Síria com o Líbano, na área de Damasco até a costa Mediterrânea, passando por Homs e Hama. Estes territórios seguem solidamente nas mãos de Assad. Os iranianos e os libaneses do Hezbollah não devem se arriscar em áreas distantes, como Idlib, para combater a Al Qaeda.

Esta “Síria” apoiada pela Arábia Saudita e pela Turquia será ultra religiosa e seguirá a ideologia wahabbita dos próprios sauditas, do ISIS, da Al Qaeda, do Boko Haram e do Al Shabab. Em teoria, os sauditas e os turcos imaginam que serão capazes de controla-los, evitando que adotem uma agenda anti-Ocidente como o ISIS.

No longo prazo, portanto, terá a Síria de Assad, com capital em Damasco, a Síria do ISIS (Grupo Estado Islâmico), com capital em Raqaa, e a Síria da Al Qaeda (próSaudita), com capital em Idlib e, talvez, em Aleppo.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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