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Com Assad ou sem Assad, não haverá paz na Síria

gustavochacra

04 Maio 2012 | 11h07

no twitter @gugachacra

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Desde o início dos levantes na Síria eu insisto que o regime de Bashar al Assad se enfraqueceria caso os protestos chegassem aos centros de Aleppo e de Damasco. Afinal, uma manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, ou na Avenida Atlântica, no Rio, chama mais a atenção do que em cidades menores. O mesmo se aplica neste país árabe.

Até agora, Assad vinha controlando estas duas metrópoles. Em parte porque desfruta de apoio de considerável parcela da população. Ao mesmo tempo, há um Estado policial capaz de qualquer ação para impedir uma manifestação. E foi exatamente isso o que aconteceu ontem na Universidade de Aleppo.

Depois de um raro protesto dos estudantes, membros de milícias pró-Assad e alunos simpatizantes do regime mataram quatro de seus colegas que pedem mudanças na Síria. Além disso, fecharam os dormitórios.

Como sabemos, estudantes sempre estiveram na vanguarda de revoluções. Neste sentido, esta ação na universidade em Aleppo pode provocar uma onda de protestos ao redor da Síria, em um novo momentum para a oposição.

Por outro lado, os estudantes envolvidos nos protestos, segundo alguns relatos, incluindo do New York Times, seriam de áreas como Idlib, na fronteira com a Turquia, onde sentimento entre Assad é maior. Os alunos naturais de Aleppo ainda estariam a favor do regime. De longe, fica complicado fazer uma avaliação.

Independentemente disso, a Síria está em guerra civil e prosseguirá por meses ou anos com ou sem Assad no poder. Todas as iniciativas de paz, como o plano Annan, fracassarão no curto prazo e os dois lados tendem a se radicalizar ainda mais.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios