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Com Obama, presença síria no Líbano pode aumentar

gustavochacra

15 de outubro de 2008 | 18h01

Obama tem apoio quase unânime no mundo árabe para as eleições americanas no próximo mês. Mas, aos poucos, cresce a especulação de que o candidato democrata não será positivo para o Líbano. De acordo com esta teoria, que tem muitos adeptos, a decisão de Obama de dialogar com a Síria para alcançar um acordo de paz entre o país árabe e Israel, além de conseguir a ajuda de Damasco para estabilizar o Iraque, pode ter como efeito colateral um aumento da presença política do regime de Bashar al Assad em Beirute.

Primeiro, no caso das negociações com os israelenses, os dois países precisarão ceder para chegar a um acordo. Israel terá que se retirar das colinas do Golã, ocupadas em 1967. A Síria romperia com o Hezbollah e com o Hamas. Porém, e isso foi publicado mesmo na imprensa síria, Assad pode ser premiado com um sinal verde de Washington para voltar a intervir no Líbano.

Seria mais ou menos o que ocorreu em 1990, quando Hafez al Assad, pai do atual presidente, concordou em apoiar os americanos na Guerra do Golfo contra Saddam Hussein. Em troca, recebeu passe livre para atuar no Líbano. Na época, quem idealizou o plano foi James Baker, então secretário de Estado de George Bush (o pai). Obama sempre gosta de dizer que, para o Iraque, seguiria as determinações do Iraq Study Group. Baker foi um dos dois autores do estudo que, entre outras recomendações, pede negociações com a Síria.

Claro, há diferenças entre 1990 e agora. Na época, o Líbano acabava de sair de uma guerra civil e as forças sírias ajudaram a dar estabilidade ao país. Desta vez, não existe clima para a Síria voltar militarmente ao Líbano. Tampouco estabelecer checkpoints pelas estradas libanesas. Mas Damasco poderia voltar, segundo esta teoria, a ter uma voz ativa na política libanesa. E esta seria exercida pela Embaixada que Assad anunciou que abrirá em Beirute.

Por este motivo, alguns libaneses, especialmente os ligados à coalizão governista 14 de Março, torcem por uma vitória de McCain. Os republicanos são mais próximos desta aliança libanesa e não aceitam que os sírios tenham controle sobre os libaneses.

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