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Com ou sem Brasil, Obama deveria organizar o Camp David Três

gustavochacra

07 de janeiro de 2010 | 21h55

– O Fatah e o Hamas não conseguem, depois de quase quatro anos, chegar a um acordo para pelo menos haver uma coexistência civilizada

– Israel e o Hamas, depois de quase quatro anos, não conseguem chegar a um acordo para a troca de prisioneiros

– Netanyahu e Livni, depois de quase um ano, não conseguem chegar a um acordo para uma coalizão mais forte em Israel, sem a necessidade de partidos radicais

– Netanyahu e Obama, depois de quase um ano, não conseguem chegar a um acordo para o congelamento na construção dos assentamentos

– Obama e Abbas, depois de quase um ano, não conseguem chegar a um acordo para o fim ao incitamento à violência nos territórios palestinos

– Netanyahu e Abbas, depois de quase um ano, não conseguem se reunir a sós para discutir o processo de paz

Dos cinco casos, apenas, um envolvendo o Hamas e Israel, inclui dois verdadeiros inimigos. Fatah e Hamas são rivais, mas possuem o mesmo objetivo de criar o Estado palestino. Netanyahu e Livni são rivais, mas tem o mesmo objetivo de garantir a segurança de Israel. Netanyahu e Obama tem diferenças, mas pretendem manter boa a relação entre Israel e EUA. Obama e Abbas também discordam em alguns pontos, mas concordam com o fim da expansão dos assentamentos. Netanyahu e Abbas, apesar de representarem lados em conflito, não podem ser classificados como inimigos.

Além disso, nos cinco casos, existe uma negociação na qual os dois lados tendem a ter benefícios. O Fatah e o Hamas, unidos, ou convivendo pacificamente, fortalecem a posição palestina em negociações. Israel e o Hamas, trocando prisioneiros, deixarão as famílias destas pessoas mais felizes. Claro, os israelenses se sentirão um pouco mais inseguros. Mas Shalit não pode apodrecer longe de seus pais. Netanyahu e Livni formariam uma coalizão mais poderosa e com melhores condições de chegar a um acordo, além de dar uma maior credibilidade a Israel no exterior. Obama e Abbas, com a menor violência, poderiam conseguir mais concessões de Israel. E Netanyahu e Abbas, se levarem adiante o processo de paz, podem fazer história.

Mas nada avança no Oriente Médio e a culpa está dividida entre todos. Agora, imagine se um dia realmente tiverem que negociar fronteiras, status final de Jerusalém e questão dos refugiados. Fica difícil. Dizem que, nestes casos, a melhor saída é levar todos para Camp David e se fecharem até haver um acordo. Uma vez, tiveram sucesso, com o acordo entre o Egito e Israel. Sadat, Carter e Begin entraram para a história. Clinton, Arafat e Barak fracassaram. Talvez esteja na hora do Camp David Três. Deveriam convidar também a União Européia, países árabes como a Arábia Saudita, a Rússia. Convidam o Brasil? O Celso Amorim já se convidou.

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