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Começa a guerra civil no Líbano? Ainda não (Estou atualizando constantemente)

gustavochacra

19 de outubro de 2012 | 11h43

O Líbano

ATUALIZAÇÃO – Site muito bom com fotos do atentado em Beirute. As imagens são chocantes. Portanto, pensem bem ants de abrir

Mudou o cenário completamente em relação ao post que eu coloquei de manhã. O alvo foi Wissam al Hasan, general libanês e chefe da inteligência libanesa. Este militar, de origem sunita, era o homem de Saad Hariri, líder da oposição libanesa, nas forças de segurança do país. Recentemente, esteve por trás justamente da prisão de Michel Samaha, um político cristão pró-Assad em Beirute que estaria planejando atentados para desestabilizar o Líbano.

Desta forma, embora o local do atentado seja um tradicional bairro cristão libanês, como explico abaixo, o alvo foi um general da área de inteligência e próximo a facções anti-Síria no Líbano.

Sua morte pode levar à eclosão de uma guerra civil ou a uma instabilidade com outros atentados, mas com a vida seguindo normalmente em Beirute. Conversando com analistas e amigos no Líbano, a segundo opção parece a mais provável. Os libaneses estão divididos sobre a Síria, mas as principais facções entendem que todos perderiam, neste momento, em um conflito.

E quem está por trás? No Líbano, nunca dá para saber. Alguém pode cometer um atentado justamente culpar o inimigo. O alvo, porém, nos leva a crer que sejam grupos pró-Assad com base no Líbano e possível ligação com o regime em Damasco.

 

ATUALIZAÇÃO – O alvo do atentado foi o general Wissan al Hasan, chefe da inteligência das Forças Armadas e responsável pela prisão do político cristão pró-Assad Michel Samaha. Ele possuía muitas informações sobre os planos sírios para acabar com a estabilidade no Líbano

É enorme o risco de a Guerra Civil da Síria atingir o Líbano depois do mega atentado desta manhã na sede da Phalange, uma das mais simbólicas organizações políticas cristãs. Foi no coração de Ashrafyeh, o bairro cristão de Beirute, em plena praça Sessine, ao lado do shopping ABC. Para tentar sintonizar o leitor, seria na Oscar Freire da capital libanesa.

O alvo, a Phalange,  foi poderosa com Pierre Gemayel nas décadas de 1950 e 60. Seu filho Bashir a levou ao auge no fim dos anos 1970 e começo dos 80. Em alguns momentos, foi aliada de Israel. Aos 34 anos, em 1982, ele foi eleito presidente do Líbano, mas acabou morto em atentado. Faz exatos 30 anos.

A reação à morte de Bashir, apenas para entender o que pode acontecer agora, foi o massacre de Sabra e Chatila. Na época, milicianos falangistas, na faixa dos 20 anos, entraram nestes campos de refugiados, controlados por Israel, e massacraram centenas de palestinos.

Atualmente, a Phalange perdeu força. Na verdade, as Forças Libanesas, uma organização comandada pelo ex-falangista Samir Gaegea, herdou o discurso dos Gemayel, hoje enfraquecidos na figura do ex-presidente Amin, irmão de Bashir. Eles são aliados dos sunitas de Saad Hariri no Líbano, que apóiam a oposição na síria e são aliados da Arábia Saudita.

Outro grupo cristão é o de Michel Aoun, que tem uma coalizão com o Hezbollah. Gaegea e o general, como é conhecido Aoun, se odeiam.

Difícil dizer quem está por trás do atentado de hoje em Beirute. Mas vale lembrar que um político cristão chamado Michel Samaha teria planejado, com o regime de Damasco, ações para desestabilizar o Líbano. Agora, está preso. Outros como ele em atitude similar podem ter sido os mentores.

Não descartem também grupos jihadistas aliados da oposição síria que queiram desestabilizar o Líbano. Mas vamos aguardar.

O certo é que ainda dá tempo de impedir uma guerra civil no Líbano. A comunidade internacional precisa apoiar ao máximo o ainda coeso Exército libanês. O presidente Michel Suleiman conta com amplo apoio populacional.

O problema é que tudo joga contra, especialmente com as eleições em meados do ano que vem e o Líbano completamente divido em relação à Síria.

Mais tarde, volto a comentar.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade ColumbiaTambém é comentarista do programa Em Pauta, na Globo News. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen.  No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios


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