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“Comida libanesa vai bem além do kibe e da esfiha”, diz ministro do Turismo do Líbano ao blog

gustavochacra

24 de novembro de 2012 | 14h29

A nouvelle cuisine cuisine libanesa vai bem além do kibe e da esfiha, segundo o ministro do Turismo do Líbano, Fady Abboud, que estará no Brasil nesta semana acompanhado de quatro chefs de cozinha libaneses. Abaixo, trechos da entrevista que ele me concedeu publicada no caderno Paladar, do Estadão

 O Sr. levará a São Paulo quatro chefs de cozinha do Líbano. Na sua avaliação, a culinária libanesa no Brasil se difere da de Beirute?

Queremos mostrar a nouvelle cuisine do Líbano. No Brasil, a culinária libanesa ainda é muito concentrada no kibe e na esfiha, que já se transformaram em comidas brasileiras. Os restaurantes em Beirute e outras partes do país são fantásticos e queremos mostrar a variedade dos pratos que os libaneses estão comendo atualmente.

O governo do Líbano se mostrou irritado com algumas iniciativas dizendo que hummus e falafel são comidas de Israel. Como o Sr. vê esta disputa?

É uma batalha que estamos enfrentando e eu sou um dos líderes. Está claro que hummus, falafel e tabouli não são comidas israelenses. Foram inventados no Líbano e temos provas. São comidas desta região do mundo árabe, onde conviveram por séculos cristãos, muçulmanos e judeus.

Não é tão simples encontrar esfiha em Beirute como em São Paulo. Inclusive, normalmente usam a denominação lahmajeen. Por que a diferença?

Esfinha é do vale do Beqa (região libanesa de onde vieram muitos imigrantes para o Brasil). Nos últimos anos, muitos libaneses começaram a fazer uma massa mais fina e o lahmajeen se tornou popular em todo o Líbano. Mas tem esfiha também.

Há uma guerra civil na Síria, vizinha do Líbano, e recentemente um carro-bomba explodiu no coração de Ashrafyieh, o sofisticado bairro cristão de Beirute. Como convencer alguém a ir para o Líbano neste momento? Apesar dos ótimos restaurantes e das belezas do país, existe um temor com a segurança.

Líbano e Síria são dois países diferentes. Beirute é mais segura do que muitas cidades do mundo, incluindo São Paulo. Pessoas podem dirigir suas Ferraris e outros carros de luxo sem medo de serem roubados no Líbano. O atentado ocorreu, mas Nova York teve o 11 de Setembro e as pessoas continuam viajando para a cidade.

Seu objetivo é atrair para o Líbano apenas descendentes ou todos os brasileiros, independentemente da origem?

Todos os brasileiros. Claro, muitos jovens descendentes, como você, querem retornar às raízes libanesas. Virou moda. Mas todos os brasileiros ficariam entusiasmados em visitar uma nação cosmopolita como o Líbano, onde mais da metade da população fala três línguas e com a melhor vida noturna do mundo, segundo o New York Times, onde cristãos e muçulmanos convivem em paz.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009 e comentarista do programa Globo News Em Pauta, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti, Furacão Sandy, Eleições Americanas e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen.  No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios


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