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Como a ditadura saudita fortaleceu a Al Qaeda no Yemen e o ISIS na Síria?

gustavochacra

22 de abril de 2015 | 10h38

A Arábia Saudita encerrou a sua patética intervenção militar no Yemen. O resultado final foi a morte de centenas de civis iemenitas, incluindo crianças, mulheres e idosos, e o fortalecimento da Al Qaeda. Agora, falta saber como serão os termos do cessar-fogo.

Os alvos da intervenção da Arábia Saudita foram os houthis, como é conhecida uma etnia do norte do Yemen seguidora de um braço do islamismo xiita chamado zaydismo, e seus aliados das forças leais ao ex-ditador Abdullah Saleh, muitas delas árabes e sunitas. Ambos não foram derrotados, embora tenham sido relativamente enfraquecidos. Ainda controlam a capital Sanaa e boa parte do país. Noto que o apoio do Irã a este grupo é marginal e Teerã tentou convencê-los a não tentarem se expandir para Aden. Os houthis não são os equivalentes do Hezbollah para o Yemen.

Aden, a segunda cidade, está caótica e separatistas do sul talvez se aproveitem. Tribos sunitas controlam suas áreas em outras partes do país. E, acima de tudo, a Al Qaeda avançou, com o apoio dos bombardeios sauditas, no seu objetivo de construir um “califado” para rivalizar com seus inimigos também terroristas na Síria e no Iraque do ISIS, também conhecido Grupo Estado Islâmico ou Daesh.

O regime ultra extremista saudita, portanto, ao apoiar rebeldes mais radicais na Síria, ajudou a construção do ISIS e da Frente Nusrah (Al Qaeda na Síria). Agora ajudou no fortalecimento da Al Qaeda na Península Arábica, com base do Yemen. E, claro, a ditadura fraternal em Riad mantém um Apartheid contra as mulheres e minorias religiosas, como os xiitas, em seu território, e patrocina mesquitas e madrassas ultra radicais ao redor do mundo disseminando a ideologia wahabbita. No Ocidente, bizarramente, alguns governos, jornalistas e analistas chamam este regime de “moderado”. Por que? Porque o lobby saudita é poderoso.

Sei que tenho insistido nesta questão, mas não dá mais para aguentar a hipocrisia saudita.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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