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Como a Guerra da Síria pode acabar? Veja os 15 itens necessários

gustavochacra

29 de janeiro de 2014 | 19h01

O que pode acontecer na Síria para a Guerra acabar?

1. EUA, Irã, Rússia, Turquia, Iraque e Arábia Saudita decidem que chegou o momento de encerrar o conflito

2. Nenhum dos lados será capaz de controlar todo o território

3. Mas o regime controlará uma parte do território e a oposição, outra

4. Uma trégua geral seria negociada, dividindo a Síria em dois territórios, como ocorreu no Chipre

5. O regime ficaria com Damasco, Homs, Hama e a costa Mediterrânea (Tartus e Latakia)

6. A oposição  ficaria com áreas no Norte e Leste do país, nas fronteiras com a Turquia e o Iraque

7. Aleppo talvez permanecesse dividida, como Nicósia, capital do Chipre, ou Jerusalém e Berlim no passado

8. Haveria uma região autônoma curda, associada ao Curdistão iraquiano

9. Nas áreas do regime (Damasco e Mediterrâneo), o cenário seria parecido com o atual. Isto é, um governo secular nas mãos de Assad, com apoio das minorias cristãs e alauítas e de algumas facções sunitas mais laicas

10. Nas áreas da oposição, seria mais complexo. Os EUA e seus aliados teriam de trabalhar para derrotar grupos rebeldes ligados à Al Qaeda, como o ISIS e a Frente Nusrah. Alguns de seus membros teriam de ser convencidos a mudar de lado. Seria necessário muito investimento estrangeiro para viabilizar este Estado paralelo em uma tarefa similar à estabilização do Afeganistão na luta contra o Taleban

11. Os opositores do exílio também precisariam se unir com os rebeldes mais moderados e chegar a um consenso sobre um governo nestas áreas. Um líder forte seria importante

12. Com o passar dos anos, aos poucos, talvez uma “Segunda Síria” comece a florir nestes territórios, incluindo a formação de um Exército regular e de instituições burocráticas estatais

13. Quando os dois lados tiverem governos consolidados, uma transição para a união do país poderá ser negociada. Uma anistia geral teria de ser implementada

14. Em uma segunda hipótese, permaneceriam duas Sírias, mais o Curdistão, coexistindo definitivamente. A primeira (de Assad) seria reconhecida pela ONU, BRICs, Irã, Iraque, Egito e Líbano; a segunda, teria reconhecimento dos EUA, de nações europeias e do mundo árabe. De uma certa forma, similar ao Chipre

15. Isso poderia ocorrer em anos (talvez dez ou mais), não em meses

Mas esta possibilidade é provável?

Não. A segunda Síria (dos rebeldes) tende a virar um território da Al Qaeda, em uma mistura de Somália e Afeganistão. No outro lado, o regime deve seguir com o controle de Damasco, Homs, Hama e o Mediterrâneo. Aos poucos, passará a ser tolerado pelos EUA e outros países, como o Sudão de Omar Bashir 

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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