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Como a Guerra do Iraque foi boa para a Al Qaeda e péssima para os cristãos

gustavochacra

03 de janeiro de 2014 | 13h42

Os Estados Unidos intervieram no Iraque em 2003. A ação militar ocorreu menos de dois anos depois do 11 de Setembro. Inicialmente, a administração de George W. Bush argumentou que Saddam Hussein seria aliado da Al Qaeda. Não convenceu ninguém. O ditador iraquiano, uma liderança laica no mundo árabe, era inimigo da rede terrorista de Bin Laden. O segundo argumento seria o das armas de destruição em massa. Estas nunca foram encontradas. O terceiro, da democratização do Iraque. O Iraque tem eleições, mas não é uma democracia consolidada.

Vamos ver, na verdade, o resultado prático da Guerra da Iraque, ainda em andamento, embora sem a presença de tropas americanas

1. Mais de 4 mil soldados americanos morreram nos combates

2. Dezenas de milhares de jovens americanos ficaram feridos, sendo uma boa parte deles inválidos, com múltiplas amputações e queimaduras

.3 Cerca de 200 mil iraquianos morreram

4. O novo governo do Iraque é aliado do Irã e do regime de Bashar al Assad na Síria

5. Mais da metade dos 1 milhão de cristãos iraquianos, que eram protegidos por Saddam Hussein, tiveram de buscar refúgio na Síria, onde são protegidos por Assad

6. Bagdá, hoje, é a cidade com maior número de atentados terroristas no mundo cometidos pela Al Qaeda

7. Bagdá ainda é mais violenta do que Damasco

8. Para fechar com chave de ouro, a Al Qaeda, segundo reportagem do New York Times de hoje, está prestes a assumir o controle das cidades de Fallujah e Ramadi, na Província de Ambar depois de derrotar tropas do governo. Um terço dos americanos morreram tentando estabilizar estes locais

Resultado? A Guerra do Iraque fortaleceu a Al Qaeda e o Irã, que embora inimigos entre si, são os maiores inimigos dos Estados Unidos

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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