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Como é ser brasileiro nos EUA depois de sermos trucidados pela Alemanha?

gustavochacra

10 Julho 2014 | 10h17

Esta foi minha terceira Copa fora do Brasil. E a décima da minha vida (comecei a ver com 6 anos em 1982). Posso garantir, é diferente e pior quando estamos em outro país e vemos a seleção perder. Seja aqui nos EUA, em Israel, no Líbano, na França ou na Japão, nossa identidade brasileira pesa mais. Quando nos olham, a primeira coisa que nos associam é ao Brasil. E o Brasil costuma ser associado ao futebol, embora também a música e a economia sejam muitas vezes mencionada, assim como a Fórmula 1 no passado.

E o dia seguinte de quem mora fora, depois de sermos aniquilados pela Alemanha, começou com jornais como o New York Times, Wall Street Journal e Financial Times com reportagens na capa tentando explicar o que o desastre dos 7 a 1 representou para o Brasil. O mesmo ocorreu no Le Monde, no Marca, na Spiegel. Todos falando do nosso país. Nas TVs americanas, mostram imagens de brasileiros chorando no Recife, em Belo Horizonte, no Rio, em São Paulo. Quando eu iria imaginar que a bandeira queimada seria a do Brasil na Vila Madalena e não a dos EUA em Teerã?

Em uma mesa redonda em inglês, Gilberto Silva, pentacampeão mundial, tenta explicar o fiasco da seleção. Os outros comentaristas, no Rio, mostram chocados as capas dos jornais brasileiros. Para a carreira de um jornalista de futebol, nunca haverá um dia igual. Nenhum conseguia se concentrar na partida Argentina e Holanda. O Seven-One entrou para a história. Foi a maior surpresa da do esporte mundial em todos os tempos.

Os estrangeiros envolvidos na nossa vida vieram falar conosco e até nos escreveram. Os porteiros do prédio, que preferem baseball, olham sem graça e abrem um sorriso de dó. O salva-vidas da piscina, que começou a ver soccer nesta Copa, tenta entender e faz perguntas sobre o massacre e pede desculpas se faz alguma pergunta que possa me chatear. Amigos americanos e de outros países escrevem e-mails oferecendo, literalmente, condolências. Ninguém, absolutamente ninguém, tira sarro. Não é como quando o Palmeiras sofre uma goleada e no dia seguinte precisamos aguentar corintianos e são-paulinos.

Vi o jogo da Argentina em um bar perto da TV, antes de entrar no ar para falar do conflito na Faixa de Gaza. Na mesa, um americano tinha certeza que eu fosse argentino. Ao descobrir que era brasileiro, passa a me tratar como se eu estivesse de luto. O semblante muda. Ele tenta me animar.

O interessante é que todos encaram como uma tragédia, algo completamente improvável. No geral, atribuem à pressão sobrenatural sobre os jovens brasileiros. Por incrível que pareça, algumas pessoas vieram me questionar se seria diferente com Ronaldinho, Kaká e Robinho.  Para eles, o futebol do Brasil não morreu, mas está doente. E todos querem que seja curado. Assim como quem gosta de automobilismo não quer ver a Ferrari nas últimas colocações da Fórmula 1, quem gosta de tênis não quer ver o Roger Federer eliminado na segunda rodada de um Grand Slam ou perdendo de 6/0, 6/0 e 6/0, quem gosta de futebol não quer ver o Brasil humilhado.

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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