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Em 2009, escrevi que Erdogan é o Lula da Turquia. Concordam?

gustavochacra

26 de dezembro de 2013 | 13h21

No início de 2009, quando passei um mês em Istambul, escrevi um texto comparando Erdogan, premiê turco, a Lula, então presidente do Brasil, e seus dois partidos – AKP e PT. No ano seguinte, os dois países se uniriam ao negociar um acordo com o Irã envolvendo seu programa nuclear.

Na época, em março de 2009, escrevi

O premiê turco, Racep Tayyip Erdogan, é uma espécie de Lula da Turquia. Seu partido, o AKP, seria o PT. Os dois líderes superaram obstáculos para chegar ao poder, enfrentaram preconceito das elites e surpreenderam na administração da economia, recebendo elogios internacionais. Ao mesmo tempo, tanto o PT quanto o AKP são acusados de, uma vez no comando, terem se envolvido em corrupção e buscado perpetuação no governo.

O AKP é um partido de origem religiosa. Isso é um choque para a ocidentalizada elite turca. Seus líderes seguem o islã à risca e as suas mulheres cobrem a cabeça. Algo que seria inaceitável nos tempos de Mustapha Kemal Ataturk, que secularizou o país. Depois de décadas mirando a Europa, Erdogan voltou a olhar para os vizinhos do Oriente Médio. O premiê adotou um discurso pró-Palestino, reconhece o Hamas e o Hezbollah, mantém boas relações com o Irã e negociava a paz entre a Síria e Israel. De certa forma, até dezembro, não tinha inimizade com ninguém na região. Mesmo os curdos do Iraque, aos poucos, dialogavam com o seu governo.

Faz quase cinco anos. No Brasil, os responsáveis pelo Mensalão ainda demorariam mais quatro para serem presos.  Na Turquia, o processo é mais rápido. Em uma semana, já há detidos. E o premiê Erdogan corre o risco de precisar deixar o cargo e luta para sobreviver. A pressão é enorme e três ministros já renunciaram. Mas ainda é cedo para saber.Seu destino terá enorme repercussão no futuro do Oriente Médio.

Obs. A  política externa de Erdogan deu uma guinada desde 2009,em parte devido à Primavera Árabe. Assad e Hezbollah viraram inimigos na Guerra Civil da Síria, onde Erdogan abriu as suas fronteiras para jihadistas, muitas vezes ligados à Al Qaeda, entrassem no território sírio para combater o regime de Bashar al Assad, de viés laico. As relações com Israel continuam estremecidas, No Egito, viu a Irmandade, sua aliada, chegar ao poder democraticamente, ser deposta pelos militares e hoje ser classificada como terrorista. 

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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