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Como está a imagem de Israel nos EUA?

gustavochacra

30 Julho 2014 | 11h06

As relações entre os Estados Unidos e Israel sempre foram especiais para os dois países. Os israelenses recebem a maior ajuda militar oferecida pelos americanos no mundo e têm garantia de defesa diplomática em órgãos como o Conselho de Segurança da ONU, onde Washington sempre usa seu poder de veto para defender o seu aliado. No governo de Barack Obama, nos EUA, e de Benjamin Netanyahu, em Israel, houve, porém, uma série de atritos. Mas como anda a relação hoje?

Primeiro, temos de dividir os EUA em pelo cinco grupos  – poder Executivo (Casa Branca), Congresso, imprensa, mundo acadêmico e população

1. Poder Executivo – O governo de Obama tem enorme insatisfação com o comportamento de Netanyahu e de muitos de seus ministros, especialmente os que não reconhecem o direita de os palestinos terem um Estado e atacam pessoalmente o presidente e o secretário de Estado, John Kerry. Para a Casa Branca, Israel foi culpado pelo fracasso nas negociações de paz que entraram em colapso neste ano; Israel segue construindo casas em assentamentos a revelia da comunidade internacional; Israel, embora tenha o direito de se defender dos foguetes do Hamas, deveria fazer mais para evitar a morte de civis, incluindo dezenas de crianças e centenas de civis. Por outro lado, o mesmo governo Obama é o responsável principal pelo financiamento do escudo antimísseis de Israel e também por evitar um isolamento internacional ainda maior dos israelenses

2. Congresso – Israel tem um apoio próximo de 100% entre deputados e senadores americanos. É uma das raras, se não for a única, questão que democratas e republicanos concordam em Washington. Apenas libertários, do Partido Republicano, que são contrários a dar dinheiro de impostos dos americanos para um país desenvolvido como Israel, e a extrema esquerda do Partido Democrata são contra. Este enorme apoio se deve não apenas ao lobby pró-Israel da AIPAC, mas acima de tudo à importância dos votos de cristãos evangélicos em diferentes partes do país que costumam ser extremistas pró-Israel. Os judeus americanos tendem a ser mais liberais (não dá para generalizar, claro), em sua maioria, e costumam votar nos democratas por questões domésticas americanas (não por causa de Israel), pois avaliam que os republicanos sejam muito conservadores em temas sociais, como aborto, casamento gay, meio-ambiente e outros

3. Imprensa – Os principais e mais sérios órgãos de imprensa dos EUA, como o New York Times, New Yorker, CNN, NBC, MSNBC CBS, ABC, Al Jazeera America, Los Angeles Times e Time adotam a postura de defesa de uma solução de dois Estados, condenando a ocupação israelense da Cisjordânia, o bloqueio a Gaza e o lançamento dos foguetes do Hamas. Na minha avaliação, são corretos e imparciais. O Wall Street Journal, nas suas reportagens, segue na linha dos demais. Nos editoriais, tem um tom pró-Israel. A FOX News é extremista anti-Palestina, beirando o preconceito. Vale ressaltar órgãos na internet, como o Vice, Vox, Salon, Slate e outros que são mais pró-Palestina. Por outro lado, existe uma série de outros pró-Israel

4. Mundo Acadêmico – Os acadêmicos dos EUA têm uma postura extremamente crítica de Israel nas principais universidades americanas, como Columbia, Harvard, Princeton, Georgetown, Chicago e outras. Entre os alunos, há divisões, mas com um viés mais pró-Palestina

5. População – Segundo pesquisa realizada durante o conflito, a maior parte dos americanos é favorável a Israel e contra os palestinos, embora não queiram o envolvimento americano na questão (os EUA são cada vez mais isolacionaistas). Normalmente, os maiores críticos do governo israelense (não de Israel) são membros de certos setores da própria comunidade judaica dos EUA, muitas vezes liberal e insatisfeita com políticas do governo de Netanyahu (assim como muitos brasileiros no exterior são os maiores críticos de Dilma, embora defendam o Brasil). Por este motivo, é bem mais provável o premiê israelense ser criticado em Nova York, onde há milhões de judeus, do que em uma cidade em Montana onde não há judeus

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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