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Como está o Oriente Médio no primeiro dia da Presidência de Barack Obama

gustavochacra

21 de janeiro de 2009 | 06h14

Barack Obama é novo presidente dos Estados Unidos. No dia da sua posse, Israel completou a retirada de suas tropas da Faixa de Gaza. Os palestinos estão divididos sobre o seu futuro, sem saber se seguem com os tecnocratas do governo de Mahmoud Abbas, se uma nova ala do Fatah comandada pelo prisioneiro Marwan Barghouti assume as rédeas da administração ou se o Hamas se fortaleceu politicamente a ponto de em breve agregar a Cisjordânia ao seu território, ou se enfraqueceu com os bombardeios e perderá a soberania até mesmo na pequena faixa costeira arrasada em três semanas de ataque.

Os israelenses tampouco sabem o que será do futuro do país. Poucos conseguem apostar em quem vencerá as eleições para premiê. Poderão eleger o conservador Benjamin Netanyahu, do Likud, a centrista Tzipi Livni, do Kadima, ou o centro-esquerdista Ehud Barak, do Partido Trabalhista. Claro, tudo isso no espectro político israelense. Sem esquecer na possibilidade de o racista, islamofóbico e anti-árabe Avigdor Lieberman se tornar uma das forças políticas mais poderosas neste país. Uma figura que rejeita os palestinos de uma forma similar à que o Hamas não reconhece Israel.

Mas não é apenas o conflito israelo-palestino que existe no Oriente Médio. Há o Iraque, prioridade de Obama. O Líbano terá eleições em junho e existe a chance de o Hezbollah e seus aliados cristãos seguidores de Michel Aoun vencerem. Mahmoud Ahmedinejad terá o seu momento Bush no pleito iraniano na mesma época. Com a crise econômica por que passa seu país, ele pode ter dificuldades para vencer. A Síria, depois da guerra em Gaza, deve estar mais reticente em voltar a negociar um acordo de paz com os israelenses. Para complicar, a Turquia, que era o principal mediador do diálogo, está com relações estremecidas com Israel.

A democratização do Oriente Médio pode voltar à mesa de discussão. A região tem uma democracia em Israel – se não contarmos os territórios ocupados, onde os israelenses estão bem distantes de serem democráticos ao restringirem os direitos dos palestinos e manterem uma ocupação ilegal –, uma instável na Turquia, uma sectária no Líbano, além de uma incipiente no Iraque. Há avanços enormes em monarquias como o Qatar. Regimes completamente fechados como a Arábia Saudita. Outros moderados, como a Jordânia. Governos autoritários e seculares no Egito e na Síria. Um sistema islâmico, mas com eleições, no Irã.

Seria um sonho imaginar que daqui a quatro ou oito anos a democracia terá se espalhado pelo Oriente Médio, com o Iraque pacificado, um Estado palestino criado e israelenses e iranianos trocando embaixadores. Mas vamos esperar para ver se, em pelo menos um destes temas, Obama conseguirá ajudar esta região do mundo a avançar.

Obs. Alguns jornalistas internacionais já entraram em Gaza. Eles são os membros da Associação de Correspondentes Estrangeiros em Israel e conseguiram o direito na Suprema Corte. A organização tem cerca de 500 integrants e consegue colocar dez por dia. Os jornalistas-visitantes, como é o meu caso, ainda não foram autorizados a entrar pelo governo israelense.

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