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Como estão os drusos em meio ao caos no Oriente Médio?

gustavochacra

12 de junho de 2015 | 11h57

Os drusos historicamente sempre evitaram atritos com os governos dos países em que vivem por serem minoria em todos eles. Na Síria, apoiam o regime de Assad, que os considera aliados. No Líbano, buscam uma neutralidade ou se aliam à coalizão que estiver no poder. Em Israel, os drusos da Galiléia fazem Exército e são totalmente integrados à sociedade israelense. Inclusive, o embaixador de Israel no Brasil é druso, não judeu. Já os drusos do Golã, um território sírio anexado ilegalmente por Israel, segundo a ONU, mantém lealdade a Assad.

Os israelenses, libaneses e sírios sempre respeitaram os drusos e os veem como mais uma parte do mosaico religioso de suas sociedades. Infelizmente, o mesmo não se aplica aos grupos rebeldes na Síria que, em muitos casos, sequer são sírios e não entendem a importância da sociedade drusa. Por este motivo, membros da Frente Nusrah, que é a Al Qaeda na Síria e integra uma federação de milícias ultra extremistas apoiada pela Turquia e Arábia Saudita, massacraram drusos na Província de Sweida, majoritariamente drusa.

Caso os rebeldes sigam avançando na Síria e levando em conta que uma enorme parcela deles não é síria e sequer sabe o que é um druso, os drusos correm enorme risco de serem massacrados, assim como também ocorre com os cristãos, com os muçulmanos alauítas, com os xiita e também com muitos sunitas moderados na Síria que não concordam com o radicalismo de grupos como a Frente Nusrah e o ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico ou Daesh.

Os drusos, assim como os alauítas no Mediterrâneo, provavelmente vão optar por defender suas áreas. Ironicamente, podem fazer um enclave similar ao imaginado por franceses depois da Segunda Guerra. Na época, a Grande Síria seria dividiaem cinco – o Líbano (cristão), Província de Lataquia no Mediterrâneo Norte (Alauíta), região de Sweida e Golã (druso), e uma Província sunita em Damasco e outra em Aleppo.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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