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Como eu vi uma década de Hillary em busca de ser candidata?

gustavochacra

08 Junho 2016 | 11h17

 

Quando eu me mudei para Nova York, em agosto de 2005, Hillary Clinton ainda era senadora e mais conhecida por ser mulher de Bill Clinton. Seu voto a favor da Guerra do Iraque começava a perseguir seus sonhos de um dia chegar à Casa Branca. Ainda assim, era a favorita absoluta para disputar a Presidência pelo Partido Democrata em 2008.

Três anos se passaram e, nas primárias, Hillary lutou até o fim. Seus debates contra Barack Obama eram hostis. Parecia existir um ódio entre os dois. Diziam ser impossível que os eleitores de um votassem a favor do outro nas eleições gerais.

No fim, Hillary não conseguiu superar o carisma de Obama, um dos maiores fenômenos políticos da história dos Estados Unidos. Resignada, aceitou a derrota e apoiou, sem muito entusiasmo, o primeiro negro candidato à Casa Branca. Seus eleitores votaram em Obama nas eleições gerais contra John McCain.

Obama, como era de se esperar, não escolheu Hillary como vice. Optou pelo também então senador Joe Biden. Mas, depois de ser eleito, nomeou Hillary para secretária de Estado, um dos cargos mais importantes do governo. A ex-primeira-dama aceitou e tentou deixar sua marca.

Mulher mais popular dos EUA por décadas, Hillary enfrentou uma série de obstáculos no comando do Departamento de Estado. Teve fracassos, especialmente na Líbia, e sucessos, ao dar o suporte para a ação que matou Bin Laden e ao apoiar o início das negociações secretas com o Irã.

No fim do primeiro mandato, como é comum entre secretários de Estado, deixou o cargo. Naquele momento, em 2012, começava basicamente sua campanha para mais uma vez tentar chegar à Casa Branca.

Desde o início, porém, foi alvo de ataques pela forma como lidou com o atentado terrorista em Benghasi, na Líbia. Posteriormente, a descoberta que usava um servidor pessoal para enviar email também a enfraqueceu. Ainda assim, era favorita absoluta para ser a candidata do partido. Joe Biden, vice-presidente dos EUA, optou por não se candidatar pois ainda lidava com a morte do filho.

Surpreendentemente, Bernie Sanders, um senador por Vermont que se diz socialista, embora seja social-democrata, deixou de ser aquela figura não levada a sério no Senado para bater de frente com Hillary com uma agenda populista de esquerda. Conseguiu sobreviver até o fim com o apoio do eleitorado mais jovem. Seus eleitores, hoje, podem dizer que não votarão em Hillary, mas acabaram votando no final.

Hillary venceu e hoje ninguém a vê mais apenas como a “mulher de Bill Clinton” – aliás, quase não vimos Bill Clinton na campanha. Mas terá de lidar com uma gigantesca impopularidade, maior do que a de todos os candidatos recentes pelo Partido Democrata. Caso enfrentasse um republicano sério, como Mitt Romney ou Paul Ryan, teria dificuldades para vencer. Sua sorte é que o rival será o populista xenófobo Donald Trump, que também alcançou o feito de ser o candidato mais impopular da história de seu partido.

De acordo com as bolsas de apostas, que tem o maior índice de acerto dos resultados eleitorais, Hillary possui 73% de chance de ser presidente. Trump, 23%. Basicamente, 3/4 a 1/4 – até duas semanas atrás, antes de Trump intensificar seus ataques contra um juiz americano filho de mexicanos, a proporção era de 2/3 a 1/3. Isto é, Hillary é favorita para ser presidente, embora não seja impossível Trump vencer.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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