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Como fica a eleição dos EUA após o terceiro debate?

gustavochacra

20 Outubro 2016 | 13h15

O terceiro debate para presidente dos EUA será lembrado por Donald Trump não dizer se aceitará o resultado das eleições em novembro caso ele seja o perdedor. Esta atitude vai contra os ideais democráticos americanos de transição pacífica do poder. Segundo o candidato republicano, agindo como se estivesse em um reality show, “ele manterá o suspense”. Mesmo sua chefe de campanha e seu candidato a vice discordam desta posição.

O argumento de Trump é de que haverá fraude na eleição, apesar de estas serem organizadas pelos Estados. No caso da Florida e de Ohio, os dois principais swing states, são governados por republicanos eles deixaram claro não haver risco de fraude.

Não há comparação com Al Gore em 2000, que fique claro. Naquele caso, houve uma recontagem porque a disputa entre George W. Bush e Gore foi definida por algumas centenas de votos. Assim que a Suprema Corte confirmou a vitória de Bush, Gore aceitou o resultado e nunca disse ter havido fraude em larga escala. Desta vez, Trump bem antes da eleição não deixa claro se aceitará a derrota ou não e afirma haver fraude.

Antes do debate, Hillary liderava por sete pontos percentuais na média das pesquisas, segundo o site Fivethirtywight. Sua probabilidade de vitória variava entre 86%, no mesmo Fivethirtyeight, e 99% no Princeton Election. As bolsas de apostas estão calculando a chance de Hillary vencer em nove de dez. E, segundo pesquisa da CNN após o debate, Hillary foi vencedora por 52% a 39% –  a candidata democrata venceu os três debates.

Trump já teria dificuldade de reverter este quadro. Depois do debate de ontem, ficou ainda mais difícil por não haver mais nenhum grande evento. Suas únicas chances passam a ser 1) haver um fenomenal erro nas pesquisas bem acima das margens de erro 2) surgir um escândalo de enormes proporções envolvendo Hillary.

Os e-mails, wikileaks, Clinton Foundation não foram bem explorados por Trump nos debates, nos quais ele preferiu falar “bad hombres” e “nasty woman”. Ele teve alguns momentos nos quais os republicanos tradicionais poderiam se empolgar, como na defesa irrestrita ao porte de armas e no combate ao direito ao aborto. Mas estes temas são insuficientes para atrair o eleitorado independente, com visões muitas mais próximas de Hillary – ela defende verificação de antecedentes criminais para a compra de armas na internet e em feiras (como já ocorre em lojas) e defende o direito ao aborto.

Será difícil, com a performance de ontem, Trump ampliar a sua base de 40% do eleitorado para vencer a eleição.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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