As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Como fica a guerra contra o ISIS no Iraque com Trump?

gustavochacra

24 de novembro de 2016 | 16h04

A batalha para reconquistar Mossul (Iraque), atualmente nas mãos do ISIS (Grupo Estado Islâmico ou Daesh), tem sido bem mais complicada do que o previsto inicialmente e pode demorar meses. Apesar de a organização terrorista estar na defensiva, sua estratégia de usar civis como escudos humanos, massacrando  muitos deles, tem impedido um avanço mais forte das forças iraquianas e seus aliados de milícias xiitas e guerreiros Pesh Merga do Curdistão, além do apoio dos EUA e do Irã.

Mossul é a segundo maior cidade do Iraque, do tamanho aproximado do Recife. São milhares de quarteirões, dezenas de milhares de prédios e com a presença ainda de centenas de milhares de habitantes que não conseguiram fugir. Não há como bombardear indiscriminadamente esta gigantesca metrópole cortada pelo rio Tigre. E uma invasão total é extremamente complicada. Será um processo lento.

Para complicar, o ISIS aproveita este conflito assimétrico para provocar o governo iraquiano em outras áreas. Nesta quinta, um mega atentado terrorista com um caminhão-bomba matou ao menos 80 xiitas que participavam de uma cerimônia religiosa. Estes ataques eram esperados, de uma certa forma, pois grupo terroristas intensificam as ações quando começam a perder espaço.

O futuro presidente, Donald Trump, pelo menos no curto prazo, não deve alterar a política de Barack Obama para combater o ISIS no Iraque. Seguirá apoiando as forças iraquianas e também os guerreiros curdos. As principais alterações tendem a ocorrer na Síria, onde, conforme escrevi dias atrás, o republicano tende a se focar apenas no ISIS, atuando em coordenação com a Rússia, mas não necessariamente com o regime de Bashar al Assad, Irã e Hezbollah.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

Comentários na minha página no Facebook. Peço que evitem comentários islamofóbicos, antissemitas, anticristãos e antiárabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores. Também evitem ataques entre leitores ou contra o blogueiro.  Não postem vídeos ou textos de terceiros. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes. Os comentários dos leitores não refletem a minha opinião e não tenho condições de monitorar todos os comentários

Acompanhe também meus comentários no Globo News Em Pauta, no Twitter @gugachacra , no Facebook Guga Chacra (me adicionem como seguidor) e no Instagram