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Como foi minha visita a Palmyra, destruída pelo ISIS?

gustavochacra

26 de agosto de 2015 | 07h29

No final de 1997, eu, meus pais e meus dois irmãos fizemos uma road trip pelo Oriente Médio. Começamos pelo Líbano, passando o Natal em Beirute. O réveillon foi em Damasco, na Síria. Depois continuamos pela Jordânia, Palestina, Israel e Egito.

Quando estávamos na Síria, fomos um dia de carro de Damasco até Palmyra. Acho que demorou entre duas e três horas. Embora atrasada em muitos sentidos nos tempos de Hafez al Assad, pai de Bashar, a Síria era extremamente segura e estável. Zero o risco de acontecer algo. E também mantinha um caráter estritamente laico. Os sírios se descreviam como árabes, não como sunitas, cristãos, alauítas e drusos.

As ruínas em Palmyra eram inacreditáveis, assim como as de Baalbek no Líbano. Vocês podem até não acreditar em mim, mas elas me impressionaram mais do que o Coliseu de Roma ou a Acrópole de Atenas. A diferença é que ficam no meio do deserto na Síria.

Nesta semana, o horrendo, grotesco, sanguinário, genocida e terrorista grupo ISIS (Daesh), equivocadamente chamado de Grupo Estado Islâmico, destruiu parte deste sítio arqueológico que por séculos foi protegido justamente pelos muçulmanos.

Ao ver esta destruição, tento entender não o que houve na Síria de 1997 para cá, mas no mundo. Os habitantes sírios de Palmyra, que tão bem recebiam os turistas independentemente da religião, nada tem a ver com estes genocidas que vieram da Tchetchênia, da Líbia e da Europa. O que leva um idiota a sair de Londres, onde estou hoje, para matar pessoas e destruir a história da nossa civilização em Palmyra?