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Como foi o maior atentado terrorista contra advogados na história?

gustavochacra

09 Agosto 2016 | 11h47

Um advogado brasileiro foi morto em atentado terrorista por um atirador ligado a um grupo que jurou lealdade ao ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico ou Daesh. Horas depois, centenas de advogados, promotores e juízes foram ao Hospital das Clínicas se solidarizar com esta vítima do terrorismo. Um outro terrorista, vestido de terno e gravata e fingindo ser um advogado, se explodiu, matando 74 pessoas. Entre as vítimas, estão alguns dos maiores juristas brasileiros, incluindo professores da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, da PUC, um juiz do Supremo, dez promotores e advogados renomados na capital paulista.

Na verdade, obviamente, este episódio ocorreu em Quetta, no Paquistão, ontem e as vítimas são paquistanesas, não brasileiras. Os responsáveis foram membros de um braço do Taleban paquistanês que se aliou ao ISIS – notem que o Taleban do Afeganistão é inimigo do ISIS, tendo uma agenda diferente da do seu homônimo no Paquistão. Quetta fica na Província do Baluchistão – uma região que se estende até a Tríplice fronteira com o Irã e o Afeganistão.

Geograficamente, culturalmente e politicamente, Quetta tem muitas diferenças em relação a Islamabad, capital do Paquistão, e Karachi, principal cidade. O Baluchistão é uma zona tensa, bem violenta.A maior parte da população integra a etnia pashtu, embora haja minoria hazara. Os pashtus seguem majoritariamente o islamismo sunita, enquanto os hazaras seguem o xiita. Inclusive, recentemente, em Cabul, no Afeganistão, teve um atentado do ISIS contra os hazaras. Ao mesmo tempo, no Baluchistão, há um movimento que busca a independência da região não apenas do Paquistão, mas também de partes que ficam no Irã e do Afeganistão.

Enfim, triste saber destas mortes no ataque terrorista de ontem.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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