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A repercussão do discurso de Dilma e como Morsy, do Egito, explica a importância da Assembleia Geral da ONU

gustavochacra

24 Setembro 2013 | 09h35

O discurso de Dilma, neste ano, provocou bem mais impacto na Assembleia Geral das Nações Unidas aqui em Nova York do que no passado. A presidente brasileira criticou duramente o programa de espionagem da National Security Agency, do governo americano. Sem rodeios, a líder brasileira foi direto ao assunto. Canais de TV como a CNN e a Al Jazeera.

Abaixo, algumas das reações de analistas no Twitter

 “Rousseff on NSA: “Cannot possibly allow recurring and illegal actions to go on. … Brazil will double its efforts to … protect itself.” Wow.”Max Fisher, analista de política externa do Washington Post

 Brazil’s president is blasting the US surveillance program right now from the podium at UN Gen Assembly, Jeremy Scahill, jornalista premiado por expor a questão dos Drones

 #Brazil speech at #UNGA: violation of fundamental human and civil rights. Even worse when private sector companies uphold these activities Eric Farnsworth, vice-presidente do Conselho das Américas

Strong words from Rousseff at #UNGA: She says N.S.A. intercepts in Brazil were “illegal”, Simon Romero, correspondente do New York Times

Rousseff’s speech is strong and makes point that NSA spying was breach of international law and cannot be ignored, Mina al-Oraibi, jornalista iraquiana baseada em Londres 

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 Uma boa medida sobre como o mundo muda de ano para ano é a Assembleia Geral das Nações Unidas, que começa nesta terça em Nova York com o discurso da presidente do Brasil, Dilma Rousseff. Desde 2012, novas lideranças emergiram, algumas continuaram inexpressivas, outras repetem suas palavras e há quem desapareça completamente do mapa.

Mohammad Morsy, no ano passado, era a estrela da Assembleia Geral. Todos queriam escutar o recém eleito presidente, em votação democrática, do Egito, o maior país árabe do mundo. Além disso, ele integrava a Irmandade Muçulmana, organização que estava até poucos anos antes na clandestinidade.

Analistas, diplomatas e autoridades internacionais cravavam que Morsy era o início de uma nova era no mundo árabe. Todos erraram, ou pelo menos não acertaram o que significava esta era. Cerca de três meses atrás, o celebrado presidente eleito do Egito foi deposto por militares, com o apoio de importante parcela da população.

Hoje, um ano depois de estar no centro das atenções como uma das mais importantes lideranças mundiais, Morsy segue preso e praticamente incomunicável por militares que levam o Egito de volta para os tempos de Hosni Mubarak, quando as Forças Armadas controlavam o país, colocando a Irmandade mais uma vez na clandestinidade.

Desta vez, nas Nações Unidas, a estrela será o presidente do Irã, Hassan Rowhani. Todos querem ouvir o que dirá o moderado líder iraniano, depois de oito anos escutando barbaridades de MahmoudAhmadinejad. Seu discurso tende a ser de busca de diálogo com o Ocidente. Já o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, prefere manter a cautela e mais uma vez tentará mostrar ao mundo os riscos de o regime de  Teerã ter uma bomba atômica, insistindo que esta estaria a apenas meses de distância – assim como faltavam meses para o arsenal atômico do Irã ficar pronto em 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012.

Dilma buscará chamar a atenção para a espionagem da National Security Agency. Por ter a vantagem de abrir os debates gerais e falar justamente antes de Obama, tende a chamar a atenção.

Mas, independentemente de Irã, Egito, Israel e NSA, o foco da Assembleia Geral deste ano estará mais uma vez na Síria e na negociação de uma resolução sobre os armamentos químicos do regime de Damasco.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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