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Como o campeão Palestra Itália e Paulistano ajudam a contar a história de São Paulo

gustavochacra

16 de agosto de 2014 | 20h28

O Palmeiras, para celebrar seu centenário, organizou um torneio hoje na Rua Javari com bola de capotão e uniformes dos anos 1940. Participaram o Palestra Itália, o Germânia, o Paulistano e o Juventus. O campeão foi o Palestra Itália, superando o Paulistano por 3 a 2 na semifinal e o Germânia na final por 1 a 0, gol de Evair – participaram do torneio os times Masters dos clubes.

Para quem não sabe, Palestra Itália era o nome do Palmeiras (e também do Cruzeiro de Minas) até a Segunda Guerra. E Germânia era o nome do Pinheiros. O Paulistano possuía até os anos 1930 o time mais forte de futebol do Estado de São Paulo. Mas o  único tetra campeão paulista de futebol da história não quis se profissionalizar. Hoje é um dos melhores clubes de São Paulo em sua sede na rua Honduras, tendo títulos em modalidades como basquete, pólo aquático, pelota basca, remo, xadrez, esgrima e natação. Para completar, deu origem, junto com o São Paulo da Floresta, ao São Paulo Futebol Clube. As cores do tricolor do Morumbi são vermelha e branca em homenagem ao Paulistano e preta em homenagem ao Floresta.

Os sócios e torcedores do Palestra Itália não eram integrantes do regime de Mussolini. Os do Germânia, tampouco eram integrantes do regime nazista. Talvez houvesse simpatizantes. Mas os membros destas agremiações eram nossos antepassados italianos e alemães. Mesmo assim, foram obrigados a mudar os nomes dos clubes. Imaginem se fosse hoje?

Fico pensando como, naquele momento, eles sofreram preconceito por terem uma determinada origem. Sou neto de libaneses por parte de pai, mas meu avô materno, Mario Cerello, era italiano. Do quatrocentão Paulistano, não do Palestra Itália. Mas cresceu na Barra Fundo, assim como muitos palestrinos. Eles não tinham nada a ver com os fascistas da Itália. O mesmo vale para os alemães do Germânia.

No fim, apesar das mudanças, o Palmeiras, no futebol, sendo o maior campeão brasileiro da história, e o Pinheiros, maior clube de esportes do Brasil, conseguiram firmar suas marcas. No caso palmeirense, a importância do Palestra nunca foi esquecida, mesmo para as novas gerações. No caso do Pinheiros, o nome Germânia está na praça ao lado do clube.

Os clubes paulistas, para mim, são uma das partes mais importantes da história de São Paulo no século 20. Mostra como a nossa cidade foi construída por diferentes comunidades imigrantes. Temos os judaicos Macabi e Hebraica. Os sírio-libaneses Sírio e Monte Líbano. Os italianos Palmeiras, Espéria e Juventus. Os quatrocentões Paulistano e Harmonia. A Portuguesa. O japonês Ipê. O suíço Helvetia. O alemão Pinheiros. O inglês SPAC. E muitos outros clubes, como o Tietê, que infelizmente fechou, o Corinthians, o São Paulo Futebol Clube, o Indiano, o Tênis Clube, o Paineiras, o Ypiranga e o Alto de Pinheiros (perdão se esqueci de algum).

Cada um deles tem suas piscinas, suas quadras de tênis, seus restaurantes, os altões do basquete, as meninas do vôlei, a turma do pólo aquático e da natação. Os veteranos do futebol. Os veteranos do bar social. Aquelas pessoas que só tomam sol. Os que só jogam bocha. Os sócios folclóricos. Os piadistas do vestiário masculino. As damas do carteado. Os cabuladores de aula. Enfim, clube é clube. E, como muitos aqui, tenho saudades de um Palestra Itália que nunca conheci. Um time que nasceu e morreu campeão. E hoje conquistou o título do seu centenário. Parabéns, Palestra! Sou sócio do Paulistano, minha casa eterna, onde minha mãe e meu avô foram campeões de natação e atletismo. Mas meu coração, mesmo há nove anos em Nova York, também é palestrino e palmeirense.

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