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Como o Exército do Líbano une cristãos, sunitas, xiitas e drusos?

gustavochacra

31 de outubro de 2014 | 12h46

O ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico ou Daesh, é inimigo de absolutamente todas as principais forças no Oriente Médio – dos EUA e do Irã, de Israel e do Hezbollah, de Assad e da França, da Al Qaeda e do Iraque, de xiitas e sunitas, de cristãos e curdos. Verdade, tem lá uma relação estranha com a Turquia, mas, em teoria, os turcos também estão em luta contra esta organização.

Ao mesmo tempo, o Exército do Líbano é aliado de quase todos os grupos e países no Oriente Médio, menos de Israel, da Al Qaeda (Frente Nusrah) e do ISIS. EUA, Irã, Arábia Saudita e França deram apoio militar e financeiro às Forças Armadas Libanesas. A Síria, de Assad, e o Hezbollah atuam em coordenação com os militares libaneses. Todos os países árabes e a Turquia consideram os libaneses aliados.

Mais importante, o Exército libanês desfruta de enorme respeito da população libanesa. É um símbolo de coexistência entre xiitas, sunitas, drusos e cristãos, sejam eles ortodoxos, armênios, maronitas, melquitas ou assírios – o chefe das Forças Armadas do Líbano, por lei, precisa ser cristão maronita e nenhuma das outras religiões libanesas questiona isso.

Ninguém, em todo o mundo, além dos curdos do Iraque, está lutando tanto contra o ISIS e a Al Qaeda (Frente Nusrah) quanto o Exército do Líbano. Os libaneses estão pagando com a vida de seus jovens, sejam eles cristãos, xiitas, sunitas ou drusos. Há 27 capturados pela Frente Nusrah em Arsal, no norte do Beqaa. Alguns outros foram decapitados. Mas o Exército do Líbano tem conseguido avanços importantes não só no Vale do Beqaa, como também em Trípoli.

Se o Líbano não está em guerra civil e Beirute segue como a mais mágica, liberal, democrática e cosmopolita cidade do mundo árabe, isso se deve acima de tudo ao Exército. Não sabemos até quando isso irá durar. Mas a comunidade internacional age corretamente ao apoiar o Exército libanês, o mais multicultural de todo o mundo.

Esta é a segunda história de sucesso do mundo árabe, além da democracia na Tunísia.

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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