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Como o marketing determinou a reeleição de Obama nos EUA

gustavochacra

23 de outubro de 2014 | 19h58

Na campanha eleitoral dos EUA, em 2012, havia, de um lado, o ex-governador de Massachusetts, Mitt Romney, e, do outro, o presidente Barack Obama. Mas, ao longo da disputa, a campanha de Obama soube usar o radicalismo de alas do Partido Republicano e montou uma imagem de rico e esnobe de Romney, o tratando como o candidato da elite, dos ricos. A campanha de Romney não soube reagir e não aproveitou o excelente desempenho do ex-governador no primeiro debate, quando ele massacrou Obama. Nos outros dois, o ocupante da Casa Branca se recuperou.

A administração de Romney em Massachusetts nunca entrou na agenda, apesar de seu ótimo desempenho no governo – era um republicano que governou em um Estado democrata e conseguiu enormes realizações. Ninguém comentava que a reforma do sistema de saúde de Obama era, na verdade, uma cópia da de Romney. Para complicar, Romney era injustamente culpado por declarações radicais e até mesmo racistas de simpatizantes de seu partido nas redes sociais que não condiziam com o seu pensamento. Ao mesmo tempo, a campanha republicana não conseguiu mostrar os fracassos de Obama nas áreas social, econômica e de política externa.

No fim, Obama saiu vencedor porque, como dizem nos EUA, sua campanha jogou Super Bowl enquanto a de Romney ainda estava no College Football. Peyton Manning contra um Freshman da Universidade do Alabama. Os marqueteiros de Obama foram muito mais hábeis do que os de Romney. Basta ver que, no Brasil, ninguém fala que Romney foi um dos precursores de private equity, comandando um dos maiores fundos do mundo, que ele salvou as Olimpíadas de Inverno de Salt Lake City, que ele foi um bem sucedido governador de Massachusetts, que ele nunca se envolveu em corrupção, que ele antecipou o risco geopolítico da Rússia e que ele é um dos maiores doadores para pesquisas em esclerose múltipla no mundo – sua mulher está em remissão da doença há dez anos.

 

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